14/06/2026
Suspense

Operação Hunt

Depois do assassinato do presidente, seguido por um golpe, um novo homem sobe ao poder. Tempos depois, um novo atentado leva a Agência de Inteligência do país a desconfiar que existe um traidor infiltrado em seus quadros.

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De uma forma tardia, as distribuidoras brasileiras descobriram o cinema sul-coreano depois do Oscar de Parasita. O que era uma cinematografia de nicho com filmes do chamado cinema de arte – como os de Park Chan-wook, Bong Joon-ho, Hong Sang-soo ou o já falecido Kim Ki-Duk – ganhou apelo comercial e, com isso, um certo filtro de qualidade acabou. Não que seja totalmente negativo, quanto mais variedade melhor, mas junto com o trigo vem o joio.
 
Operação Hunt não é de todo ruim. O filme de ação de Lee Jung-jae tem as qualidade dos bons filmes do gênero, mas não atende quem espera algo no nível das produções conterrâneas de qualidade artística. Em outras palavras, é uma diversão eficiente, mas não muito memorável.
 
Lee, astro da série Round 6, dirige o filme que parte de um fato real: o assassinato do presidente do país Park Chung-hee, em outubro de 1979, pelo chefe da Agência de Inteligência Coreana, colocando um fim num governo de 16 anos. Nunca se esclareceu o que realmente aconteceu, como o assassinato foi planejado etc. Assim, o diretor, trabalhando com um roteiro de Jo Seung-Hee, tem liberdade para criar a história como quiser.
 
A trama situa-se quatro anos depois da morte do presidente, com um novo governante no poder altamente protegido depois do trauma do final da década anterior. Ao mesmo tempo, o país vive sob repressão e resposta violenta a qualquer manifestação – vide o Massacre de Gwangju, ocorrido em 1980.
 
O diretor interpreta o protagonista, Park Pyong-ho, chefe da unidade internacional Agência Central de Inteligência Coreana, estando em disputa com o chefe da unidade nacional, Kim Jung-do (Jung Woo-sung). A tensão torna-se ainda mais acirrada depois que o novo presidente, Chun Doo-hwan, um dos organizadores do golpe de estado, quase foi assassinado nos EUA. Desconfia-se que há um espião da Coreia do Norte infiltrado no governo. Park e Kim precisam unir forças nessa investigação.
 
Desnecessário conhecer a história da Coreia do Sul para entender o filme, uma vez que tudo é didaticamente explicitado. Já os líderes das agências, dois espiões competentes, valem-se de todos os estratagemas para cumprirem a missão, passando por tiroteios e tortura. Se, por um lado, as cenas de ação são bem orquestradas, os personagens em si, assim como a trama, são um tanto esquemáticos. As reviravoltas surpreendem, mas Operação Hunt, como um todo, é um filme que tenta parecer ser mais complexo e relevante do que, no fundo, realmente é.
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