A modernidade é encontrada pelo roteiro de John Logan (co-autor do script de Gladiador) a partir do comportamento do marujo, que ginga o corpo, fala com gírias de hoje e cumprimenta seus amigos com o tapa na mão de todo e qualquer seriado americano. A história vai encontrá-lo em plena atividade, ou seja, tentando saquear um outro navio com sua trupe. O problema é que o defensor do outro navio é Proteus, um príncipe e velho amigo que Sinbad não vê há dez anos. Nem por isso o pirata vai desistir do roubo, ainda mais que o tesouro a bordo é nada menos do que um muito valorizado Livro da Paz - um objeto mágico, responsável pelo equilíbrio no mundo.
Vendo isso, resolve meter sua colher Eris, a deusa do caos (voz de Lina Rossana), que envia uma espécie de lagosta gigante para atacar os dois navios, o de Sinbad e o de Proteus, colocando mais adrenalina no combate. O lagostão é vencido pela união das duas tripulações mas Sinbad é capturado pela deusa. Para soltá-lo, ela o faz prometer que lhe entregará o Livro da Paz. Ele promete mas lembrado da amizade que deve a Proteus, resolve deixar o compromisso com a deusa encrenqueira para lá. Vingativa, ela assume a forma de Sinbad, rouba o livro, forçando-o a sair em sua perseguição para limpar o seu nome e também livrar Proteus da morte certa - pois o amigo assumiu seu lugar na prisão e, caso Sinbad não retorne com o livro em dez dias, morrerá em seu lugar.
Um outro toque moderninho reside na heroína, a princesa Marina (voz de Giovanna Antonelli, com um sotaque carioca exagerado demais). Noiva de Proteus, ela entra secretamente no navio de Sinbad apenas para garantir que ele não se desviará da missão de salvamento - o que o malandro pirata bem que pretendia. Dentro de um traje atual - camiseta justa e fusô - a princesa sai dos limites impostos pelo pirata, conquistando toda a tripulação por sua valentia e iniciativa. De quebra, sobra um clima romântico entre ela e Sinbad para emprestar um tempero adicional à trama de aventura.
Mais do que uma concessão ao feminismo, colocar uma mulher no centro da trama é uma percepção mercadológica. Afinal, sabe-se que o público feminino representa boa parte dos espectadores do cinema. Nem por isso a trama se distrai do principal, a aventura. Duas boas seqüências estão na tentativa de encantamento da tripulação pelas sereias - onde a atuação de Marina será fundamental - e no ataque do gigantesco pássaro da neve, dando oportunidade a muitos vôos da dupla Marina-Sinbad.
Pena que o lançamento seja feito apenas em cópias dubladas. Seria muito bom poder conferir as interpretações originais de Brad Pitt (como Sinbad), Catherine Zeta Jones (Marina), Michelle Pfeiffer (Eris) e Joseph Fiennes (Proteus).
