04/06/2026
Suspense

Sharper - Uma vida de trapaças

Quando a estudante Sandra conhece Tom, o dono de uma pequena livraria, parece que cada um encontrou o grande amor de sua vida. Quando ela desaparece, porém, um rastro de golpes e traições é revelado pouco a pouco.

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O suspense Sharper – Uma vida de trapaças é um filme sobre confiança: em quem cada um dos personagens pode ou deve confiar. Mas, também, mas do que isso, em quem o público pode confiar. E, aos poucos, a resposta para ambas perguntas é a mesma: ninguém. Escrito por Brian Gatewood e Alessandro Tanaka, e dirigido por Benjamin Caron, este é um longa facilmente esquecível, o que não quer dizer que não seja prazeroso durante suas duas horas.
 
Tudo começa com Sandra (Briana Middleton) uma pós-graduanda em literatura que vai a uma pequena livraria independente no Soho em busca de um livro. Lá ela conhece Tom (Justice Smith), o dono da loja, que se interessa por ela, e a convida para sair. Ela recusa, mas, pouco depois, está de volta, aceitando o convite. O romance que se inicia ali parece perfeito, até que ela desparece.
 
Esse primeiro mistério de Sharper começará a ser respondido no seu segundo capítulo, que conta a história de Sandra, até ela chegar ali, e como Max (Sebastian Stan), a transformou numa golpista. Acontece que ele mesmo não nasceu pronto para isso, e o terceiro segmento do filme contará a trajetória de Madeline (Julianne Moore), sua amante e parceira em golpes, que namora um homem mais velho, Richard (John Lithgow), a quem diz que Max é seu filho.
 
É nessa ciranda, que sempre traz um novo personagem e um novo elemento, Sharper se constitui. Sua grande graça é sempre desestabilizar as expectativas sobre as personagens quando começa uma nova parte, com um novo ou uma nova protagonista, jogando luz nas ações que acabamos de ver, e levantando outras questões.
 
O filme se nove num mundo de gente muito rica em Manhattan, e envolve, então, muito, mas muito mesmo, dinheiro que facilmente passa de mão em mão. Por isso, boa parte das personagens parece não se importar em fazer o que for preciso para ficar com uma alta soma.
 
Se a trama, às vezes, é mais rocambolesca do que o necessário, e o filme se acha mais esperto do que realmente é, as interpretações compensam esses deslizes. Há muito tempo Moore não estava tão bem numa personagem tão cínica e sinistra. Ela vai da doçura às lágrimas até chegar ao seu lado mais malvado muito rapidamente e com muita credibilidade. Stan também está excelente como o golpista que, no fundo, não é tão sagaz quando aparenta. Mas é a menos conhecida Middleton que rouba algumas cenas. Talvez por ser a protagonista da primeira parte, ela já deixa uma impressão marcante no início do filme, e, de certa forma, sua personagem é quem organiza a ação.
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