04/06/2026
Romance Drama

O rio do desejo

O policial Dalberto apaixona-se por Anaíra e ela se torna sua mulher. Deixando a profissão, ele se torna barqueiro e embarca numa longa viagem. Sua ausência cria tensões na casa da família, onde Anaíra acende o desejo dos dois cunhados, Dalmo e Armando.

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O diretor e roteirista Sergio Machado uniu-se ao escritor Milton Hatoum para compor, em O Rio do Desejo, uma história altamente sensorial em torno da natureza e da paixão - afinal, onde começa uma e termina a outra? 
 
O enredo também se desdobra em inúmeros afluentes. Parte de um conto de Hatoum, O adeus do comandante, resultando num roteiro assinado por Machado, Hatoum, Maria Camargo e George Walker Torres. Ainda em preparo, um outro desdobramento, que virá sob a forma de um romance, assinado por Hatoum.
 
O núcleo principal é formado por um quarteto: a bela Anaíra (Sophie Charlotte), que se torna mulher do ex-policial Dalberto (Daniel de Oliveira), afinal transformado em barqueiro; e os dois irmãos dele, Dalmo (Rômulo Braga) e Armando (Gabriel Leone). Criados numa família desprovida de mãe, sob a sombra de um pai traído e amargurado, os três irmãos iluminam-se com a presença de Anaíra, uma força da natureza. 
 
A natural contenção diante da figura da mulher do irmão sofre abalos quando Dalberto, pressionado por negócios, tem que empreender uma longa viagem até Iquitos, no Peru. Longe do marido, com quem mantém irregulares contatos telefônicos, Anaíra reencontra uma insegurança emocional de outros tempos. Mais firme é a força do desejo, o seu e o de seus cunhados, sob a luz de uma Amazônia caudalosa, às margens do rio Negro, em que pássaros, homens e mulheres parecem só ser governados por seus sentidos.
 
Filmado em Itacoatiara (AM) e fotografado com exímia perícia por Adrian Teijido - premiado no festival estoniano Tallin Black Nights -, o filme encontra aí uma moldura que corresponde aos matizes das emoções desencontradas e dos instintos desatados de seus protagonistas. Machado, aliás, é um diretor esmerado em criar atmosferas como estas para seus filmes, como fizera, anos atrás, em Cidade Baixa (2005), na periferia de Salvador. Da mesma forma, é um cineasta que não teme a exposição do erotismo, que transpira em gestos, peles e olhares. Uma cena particularmente eficaz é a que mostra um ensaio de dança que começa a envolver Anaíra, Dalmo e Armando e cujo desfecho traduz, sem palavras, toda a extensão do drama que se desenrola entre quatro paredes e todo o seu potencial de tragédia.
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