04/06/2026
Documentário

Minha Perna, Minha Classe

Documentário resgata a vida e as lutas do líder camponês maranhense Manoel da Conceição (1935-2021), um pioneiro na criação de associações e sindicatos rurais, além de fundador do PT e da CUT e que foi preso e mutilado por conta de sua militância.

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O documentário de Arturo Saboia é um resgate da vida e da militância de Manoel da Conceição (1935-2021), líder camponês maranhense e um dos mais atuantes do país. Nascido em Coroatá, oeste maranhense, Manoel conviveu desde criança com situações de exploração, sendo ali um lugar de grilagem e intensa luta pela terra. Essas lutas forjaram nele um espírito de engajamento em função da organização dos trabalhadores, tornando-se o fundador e o primeiro presidente do primeiro sindicato de trabalhadores rurais de Pindaré Mirim, em 1963. 
 
A ditadura civil-militar instalada no país em 1964 torna Manoel um dos alvos de uma permanente perseguição, que culminou em sua prisão e no problema que o mutilou. Levando cinco tiros na perna, permaneceu vários dias sem tratamento, o que provocou a gangrena e sua perda. Tentaram negociar que deixasse sua militância em troca de tratamento médico e de uma perna mecânica, o que conduz à sua célebre negativa: “Minha perna é minha classe”. Uma das muitas manifestações do inabalável engajamento de Manoel, que aparece no filme em várias imagens de arquivo.
 
Perseguido como subversivo, Manoel prossegue em sua trajetória, primeiro viajando até São Paulo - onde mantém contato com o movimento sindical do ABC e também com a Ação Popular -, depois indo clandestinamente para a China. No país de Mao, ele conhece o funcionamento do comunismo local, que considera inadequado ao Brasil, e também obtém uma prótese. Por conta disso, em seu retorno ao país, o líder camponês é objeto de uma reportagem tendenciosa na revista O Cruzeiro, intitulada “A Perna de Pequim”. 
 
Continuando a viver clandestino no Brasil, ele decide separar-se da mulher, Rita, e dos filhos, Raquel e Manoel Filho, para não expô-los, mandando-os para o interior do Piauí. Ele mesmo vive escondido no interior do Maranhão, onde, por um equívoco, acaba preso novamente, confundido com um ladrão de arroz, em 1972. Segue-se outro período de prisão e torturas, por oito meses, até que o Conselho Mundial de Igrejas repercute seu caso na Europa e ele é transferido do Rio de Janeiro para Fortaleza. Na prisão cearense, conhece a assistente social Denise Leal, que se tornaria sua nova mulher.
 
Libertado, ele ainda foi preso uma outra vez pelo Dops paulista, sendo solto em 1975 após um pedido pessoal do papa Paulo VI ao ditador Emílio Garrastazu Médici. Manoel e Denise viajam para fora do Brasil, exilando-se em Genebra, na Suíça, onde ele fazia palestras e nasce sua filha, Mariana. 
 
O período de exílio termina em 1979, com a Anistia, que permite a volta de Manoel e Denise. Ele se engaja na fundação do PT e da CUT e permanece na ação política por vários anos. 
 
O filme se vale de diversos materiais de arquivo que permitem contextualizar as lutas do líder, mostrando as mobilizações para a criação de associações e sindicatos rurais nos anos 1950 e 1960, além de entrevistas com os filhos, a segunda mulher e diversos companheiros de atividade política.

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