Se, num primeiro momento, o terror espanhol A Primeira Comunhão causa uma espécie de estranhamento, por conta da língua, aos poucos o filme mostra que não tem muito de diferente dos seus primos feitos do outro lado do Atlântico. Ou seja, vale-se dos mesmos temas e motivos das produções hollywoodianas do gênero, o que é uma pena.
Dirigido por Víctor Garcia, o filme tem um começo promissor, que logo desanda para o de sempre no gênero. Sara (Carla Campra) é uma adolescente que se mudou com os pais (Xavi Lite e Maria Molins) para uma pequena cidade no interior do país com uma mentalidade claramente provinciana, materializada na tia rica e esnobe (Mercè Llorens). A cidade também é bastante religiosa, sediando a festa de Primeira Comunhão das crianças locais. Entre elas, está Judith (Olimpia Roch), irmã caçula da protagonista.
A menina está triste pois, ao contrário de todas as meninas, ela não ganhou uma boneca da comunhão: seu pai deu-lhe um terço. Nessa mesma ocasião, enquanto todos estão reunidos na praça, uma mulher desesperada (Anna Alarcón), pergunta por sua pequena filha que sumiu, Marisol (Sara Roch), que, supostamente, estaria fazendo também a Primeira Comunhão.
É a partir desse desparecimento que o filme cria o seu terror frágil. Conta-se na região que existe a lenda de uma menina que desapareceu nesse dia, anos atrás, e vaga por aí assombrando as pessoas. Disso surgem sustos baratos, e imagens que seriam impressionantes, mas não dizem nada mesmo. É a mesma fórmula dos filmes americanos, apenas recicladas.
Sara, com sua melhor amiga Rebe (Aina Quiñones), toma um comprimido de ecstasy e acredita ter visto a assombração, cuja história ela desconhece. Ao encontrar uma boneca de comunhão perdida na floresta, ela traz o brinquedo consigo, e manchas estranhas começam a aparecer no corpo dela e de Rebe. O traficante (Carlos Oviedo), que vendeu a droga garante que é apenas uma reação alérgica, que passará, mas ele mesmo se encontrará com a niña fantasma.
Garcia, que no currículo tem terrores dirigidos nos EUA (como A maldição do espelho 2), não encontra nada de específico que distinga o filme como espanhol. É só mais um exemplar genérico de um terror pouco esforçado, incapaz de assustar ou criar a mínima apreensão.
