03/06/2026
Romance

Belo desastre

Abby cresceu em Las Vegas com o pai que a ensinou a se tornar uma estrela do pôquer Cansada dessa vida, ela o abandona, indo estudar numa faculdade sem contar para ele onde é. Lá, acaba se apaixonando por um lutador de comportamento violento e tóxico.

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O ano é 2023, e esse tipo de coisa já não devia mais existir. Mas Belo Desastre, novamente, numa linha sucessorial, que começou com 50 Tons de Cinza, romantiza relacionamentos abusivos. Por ora, a série After poderia ter sido o ponto final nesse tipo de coisa, mas, não, aqui, mais uma vez, um namorado tóxico é tomado como fofo. O roteiro é assinado pelo diretor Roger Krumble e parte do romance homônimo de Jamie McGuire.
 
A vítima, ou melhor, a heroína da vez é Abby (Virginia Gardner), que cresceu em Las Vegas, induzida pelo pai (Brian Austin Green) viciado em pôquer a se tornar uma rentável estrela do jogo ainda adolescente. O filme começa com ela fugindo dali, e indo, sem contar a ele para onde, estudar numa universidade bem longe.
 
Não custa muito, ela se depara com o bad boy Travis “Cachorro Louco” Maddox (Dylan Sprouse), quando o conhece numa luta secreta – uma espécie de clube da luta para jovens universitários. Ele é uma estrela ali, e ela literalmente enlouquece por ele, mas o evita pois não quer “fazer uma loucura”.  Para sorte ou azar dela, ele é primo do namorado de sua melhor amiga (Libe Barer), e, não demora muito, as duas jovens estão morando com eles – embora Abby não queira saber de uma relação com o lutador.
 
É um filme que passa boa parte do tempo com as idas e vindas do casal. Uma hora ela quer, e ele não, depois ele quer, ela não mais. Dois terços do filme ficam nessa lenga-lenga, com faíscas saindo pelos poros – o fato de Travis estar sempre com pouca ou nenhuma roupa ajuda a aguçar ainda mais o desejo de Abby.
 
Ele não é exatamente um vilão, mas é um homem problemático e de comportamento abusivo, e o filme coloca como uma missão para a protagonista o “consertar” com seu amor por ele. Há algo de muito retrógrado em vê-la limpando a sala enquanto Travis e o primo assistem televisão – ainda assim, é passada uma mensagem fofa: ela se importa com ele.
 
O diretor Roger Krumble chamou a atenção no final da década de 1990 com uma adaptação juvenil de As Relações Perigosas chamada Segundas Intenções. Havia algo de muito sagaz naquela atualização do clássico francês do século XVIII, ali protagonizada por jovens hedonistas de uma Nova York contemporânea. Seu segundo filme foi aguardado ansiosamente, e Tudo para ficar com ele, com o perdão do trocadilho, foi um belo desastre. Seu humor era pura baixaria, e nem a presença de Cameron Diaz, uma das estrelas mais carismáticas na época, o salvou.  Desde então, ele nunca mais parou, mas seus filmes não mais chamaram a atenção, até o primeiro da série After, em 2019, – de cuja mesma linhagem esse Belo Desastre deriva.
 
A vantagem aqui em relação aos seus pares anteriores é que há, ao menos, a tentativa de fazer humor – o que, em alguns momentos, torna o filme uma espécie de paródia involuntária de After. É um humor grosseiro, mas, para alguns, ainda assim humor. O elenco é esforçado, mas não há muito com o que trabalhar em termos de personagens, uma vez que são figuras monodimensionais que habitam esse universo. De qualquer forma, independente do sucesso ou não, a sequência já está engatilhada, Belo Casamento.
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