04/06/2026
Terror

A morte do demônio - A ascensão

Quando o filho de Ellie encontra um misterioso livro embaixo do estacionamento do prédio onde moram a vida da pequena família se transforma numa noite. Ela acaba possuída e tentará matar suas crianças. Sua irmã, Beth, tentará impedi-la.

post-ex_7
Ao contrário dos outros filmes da série Evil Dead, cujo original, de 1981, aqui chamado de Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio, o novo exemplar da franquia, A Morte do Demônio: A Ascensão não se passa numa cabana isolada na floresta. Como o mais recente Pânico, a trama se mudou para a cidade grande, potencializando o horror urbano dos personagens. Fora essa mudança geográfica, esse filme é impressionantemente fiel ao espírito do original de baixo orçamento dirigido por um jovem Sam Raimi.
 
O prólogo inicial – esse, sim, numa cabana na floresta –, embora sanguinolento, não dá a ideia da quantidade de sangue que irá jorrar nos poucos mais de 90 minutos do longa escrito e dirigido por Lee Cronin, que tem como questão central, inesperadamente, a maternidade, na figura de Ellie (Alyssa Sutherland). Ela é uma tatuadora que foi abandonada pelo marido e tenta superar essa perda, ao lado do trio de filhos, Bridget (Gabrielle Echols), Danny (Morgan Davies) e Kassie (Nell Fisher), num apartamento grande mas decadente num prédio que está com os dias contados.
 
A chegada de sua irmã, Beth (Lily Sullivan), um técnica de som que passa mais tempo viajando com a banda do que em casa, poderia a ajudar, não fosse o Livro dos Mortos que insiste em libertar o mal para acabar com essa família. Tudo começa com um terremoto, que abre um buraco na garagem do prédio. Danny resolve investigar o que há lá embaixo, encontrando o livro e uns vinis com uma espécie de missa maligna, e pronto, o resto, como se diz, é história com muito sangue.
 
Ao lado do produtor de arte Nick Bassett e do diretor de fotografia Dave Garbett, Cronin cria um pesadelo claustrofóbico horrendo dentro do apartamento e do corredor, de onde os personagens não conseguem sair depois da destruição da escada e do elevador do prédio – onde, aliás, Ellie foi possuída pela força do mal, numa cena que remete à possessão de Cheryl no primeiro filme.
 
Se nesse original, aliás, a maior crítica era às personagens femininas mal desenvolvidas e que sofriam os maiores males, aqui há uma correção. Elas podem passar poucas e boas nas mãos da força do mal, mas elas também são agentes fortes capazes de lidar sozinhas com suas agruras – deixando que os homens sejam apenas meras vítimas.
 
Há outras homenagens espalhadas pelo filme – uma bem evidente a Stanley Kubrick. Mas o que importa mesmo são os litros e litros de sangue que cobrem a tela, e isso não decepciona. Assim como as Sutherland e Sullivan, que se estabelecem aqui como scream queens com muita personalidade e energia.
post