04/06/2026
Fantasia Drama

Para'í

Pará é uma menina indígena da comunidade guarani do Jaraguá. Quando encontra uma espiga de milho com grãos de diversas cores, fica encantada com a beleza e tenta cultivá-los, embarcando numa jornada sobre sua própria identidade.

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Para’í, de Vinicius Toro, começa com uma menininha fazendo uma espécie de rock improvisado, com a vassoura fazendo as vezes de uma guitarra e cantando o mote do filme: uma menina indígena que encontra um milho colorido, e isso desperta sua jornada em busca de sua identidade.
 
Obviamente, o filme é maior do que apenas isso, e vai muito além, mas nas primeiras imagens, ainda nos créditos iniciais, são dados os temas que serão trabalhados. Num momento em que a cultura e a identidade dos povos originários, assim como eles próprios, se encontram ameaçados, o longa é uma peça de resistência.
 
Suas origens estão no programa Programa Aldeias, que buscava o fortalecimento político e cultural dos indígenas Guarani de São Paulo, e combina um tom ficcional – até fantástico mesmo – com algo de documental, embora não seja exatamente um documentário.
 
Quando a menina Pará (Monique Ramos Ara Poty Mattos), também chamada Monica, encontra uma pequena espiga de milho com grãos de várias cores, essa se torna seu pequeno tesouro. Assim como ter dois nomes, ela vive entre dois mundos, o da escola e o da aldeia, cada um com regras e dinâmicas próprias que não necessariamente se chocam, mas também nem sempre se complementam. O processo de aculturamento impõe o apagamento da cultura original, e Para é a resistência.
 
Entre ritos e celebrações encenadas para o filme, Para’í constrói sua beleza visual e a caminhada pessoal da pequena protagonista. Com grandes olhos expressivos, Monique é uma presença forte na tela, transitando entre a ingenuidade e a coragem. O contraste, por exemplo, entre o contato com a terra e as aulas na frente de um computador na escola marcam sua identidade em busca de conciliação. Procurar informações sobre sua aldeia na internet, por exemplo, é uma descoberta, mas também uma apreensão.
 
O fortalecimento do movimento indígena nos últimos anos, a despeito do estado das coisas, se materializa também na ascensão de suas narrativas no cinema. Além de Para’í, outros filmes começam a chegar – ao lado de obras marcantes de anos anteriores, como Serras da Desordem, de Andrea Tonacci (2006), e Martírio, de Vincent Carelli (2016) – como A Flor do Buriti, de João Salaviza e Renée Nader Messora, que fará sua estreia em Cannes, no próximo mês.
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