Começando pelo começo: O Chamado 4 – Samara Ressurge não é exatamente o 4o filme da franquia americana O Chamado, mas o 13o na longa linhagem japonesa, que começou em 1995 com Ringu: Kanzenban, uma produção para televisão, que depois foi adaptada para o cinema, em 1998, e, quatro anos mais tarde, ganhou o remake americano, O Chamado, que, por sua vez, rendeu, em Hollywood, outros dois filmes. O título oportunista que esse novo exemplar nipônico ganha aqui é uma espécie de propaganda enganosa – sendo que nem Samara a personagem se chama. É Sadako, mas, nas legendas e dublagem, disfarçadamente, atende pelo nome de Samara.
Nada disso seria, no entanto, seria um grande problema se o filme fosse bom. Mas, ao contrário, trata-se de um equívoco pueril e irritante de ponta a ponta. Para quem passou incólume pelas mais de 15 produções ligadas (fora as cópias) ao Ringu, a história tem a ver com uma fita de vídeo com imagens bizarras dessa tal de Samara/Sadako, uma adolescente com longos cabelos pretos e lisos que cobrem seu rosto, e anda de forma estranha. Nas imagens, ela está presa num poço e tenta sair. Depois que acaba de ver o vídeo, a pessoa recebe uma ligação e, sete dias depois, ela morre. A fita circula de formas inesperadas, causando uma série de mortes em cadeia.
No confuso roteiro desse filme, ao menos, coloca-se que fita de vídeo se tornou obsoleta (uma personagem até pergunta o que é um videocassete), e Samara/Sadako precisa se atualizar com as novas tecnologias. O que ela faz? Quer se tornar viral. Sem muito pé ou cabeça, a trama é protagonizada uma jovem brilhante, Ayaka (Fuka Koshiba) – ela participa de um programa de televisão de debates pois seu QI é 200.
A discussão é entre ela, uma pessoa de pensamento racional, e uma espécie de místico japonês, Kenshin (Hiroyuki Ikeuchi), que acredita na história da fita. Ayaka sugere que as imagens são puro placebo, as pessoas veem o vídeo, acham que vão morrer e acabam morrendo por isso. Então surge o desafio de ela assistir ao filme e continuar viva. Ela fica em dúvida, mas sua irmã, Futaba (Yuki Yagi), menos inteligente, quer ver o video, e, surpresa, na casa delas há um videocassete. Enfim, sete dias depois ela vai morrer.
A trama toda envolve Ayaka tentando descobrir uma maneira de impedir a morte da irmã. A ela se unem Oji (Kazuma Kawamura), um jovem cuja namorada morreu depois de ver o filme, e Bunka (Mario Kuroba), um rapaz que ela conhece pela internet, que é germofóbico, recusa-se a sair de casa e só aparece na tela com uma cabeça de gato cobrindo seu rosto.
As resoluções encontradas pelo diretor Hisashi Kimura não fazem o menor sentido, mas atestam que Samara/Sadako é uma tremenda empreendedora. Não só ela se atualiza no seu negócio, como terceiriza as mortes, criando uma demanda sem fim para o seu produto. Fora isso, as imagens nos créditos finais são literalmente uma piada.
