31/07/2026
Documentário

STILL: A História de Michael J. Fox

Ator de sucesso na TV ("Caras e Caretas") e no cinema (trilogia "De volta para o futuro"), Michael J. Fox sofreu um impacto quando foi diagnosticado com Parkinson, no início dos anos de 1990. Desde então, ele tem se dedicado a incentivar a pesquisa, inclusive criando uma fundação, e lutar para manter-se ativo.

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De ícone pop a ativista por pesquisas sobre o mal de Parkinson – essa trajetória de Michael J. Fox é o que guia o documentário Still: A Michael J. Fox Movie. Dirigido pelo oscarizado Davis Guggenheim (Uma Verdade Inconveniente), o filme é uma celebração da vida e carreira do ator de 61 anos, nascido no Canadá.
 
Colocando Fox na frente da câmera para falar em primeira pessoa, o filme já sai com uma tremenda vantagem: o inegável carisma do astro, cuja carreira decolou quando entrou para um seriado de televisão, Caras & Caretas, cujo sucesso enorme de seu personagem e seu timing para o humor o levaram a estrelar a trilogia De Volta Para o Futuro, tornando-se um dos astros pop mais queridos da década de 1980.
 
Até hoje, Fox mostra esse mesmo apelo na frente da câmera. Faz piadas, ri do seu passado e mesmo do seu presente, enfrentando os sintomas do Parkinson, como a dificuldade motora. Ele fala sobre isso com candura e sem pudor, nem pena de si mesmo. Uma das melhores cenas no filme mostra-o andando na rua, ao lado de seu fisioterapeuta, quando é cumprimentado por uma fã e acaba caindo sozinho. Ele mesmo ri da situação.
 
Mas, como também mostra o longa, Fox não encara essa condição exclusivamente com humor. Ele sabe da seriedade de sua condição e é uma das vozes mais potentes nos EUA em manifestações por mais fundos pela pesquisa sobre o Parkinson. Ao lado do campeão de boxe Muhammad Ali, participou de uma sessão especial no Congresso nos EUA pedindo investimentos. Desde o ano 2000, ele mantém uma fundação, que leva seu nome, dedicada à busca pela cura da doença.
 
Fox é uma alma generosa e um lutador que não se abateu. Mas nem sempre foi assim. Quando sentiu os primeiros sintomas do Parkinson, aos 30 anos, ele escondeu isso do público entupindo-se de remédios que o ajudavam a manter seus movimentos controlados. Foi só apenas 7 anos depois do diagnóstico que ele revelou tudo à mídia, e sua vida se transformou. Como mesmo diz, foi uma libertação poder encarar a condição de frente.
 
Trabalhando com o montador Michael Harte, Guggenheim acha uma saída sagaz para a construção da narrativa da vida de Fox, ou seja, parte de cenas e diálogos de filmes, séries e programas de televisão para reconstruir seu passado. É como se o próprio biografado tivesse gravado depoimentos ao longo dos anos. É um trabalho de pesquisa monumental, que funciona muito bem no documentário, que intercala esses resgates como depoimentos, além do ator, de sua mulher, Tracy Pollan, e de suas filhas e filho, além de reencenação de momentos-chave do passado.
 
Still: A Michael J. Fox Movie é um filme generoso com Fox e o público. Pode não trazer novidades – o roteiro parte do próprio livro autobiográfico que o ator lançou em 2020 –, mas é uma celebração de uma das grandes figuras do cinema dos anos de 1980, e um retrato bonito da resistência e generosidade.  
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