O brasileiro O mestre da fumaça tem uma proposta peculiar combinando dois elementos: kung-fu e maconha. Com tal premissa, o filme de ação canábico pediria, possivelmente, mais humor do que mostra em cena. Escrito e dirigido por Andre Sigwalt e Augusto Soares, o longa tem clara influência das obras e lutas de Bruce Lee, além de também remeter à famosa série cinematográfica Karatê Kid, mas numa vertente mais adulta, no caso.
A trama começa em 1949, na China, quando um mestre brasileiro (Ravel Andrade) morre quando sua maconha é envenenada. Sua aprendiz, responsável por sua morte, promete que acabará com mais duas gerações da família dele. No Brasil contemporâneo, seus netos, Gabriel (Daniel Rocha) e Daniel (Thiago Stecchini), deverão enfrentar a maldição para salvar suas vidas. Perseguidos pela máfia chinesa, buscam ajuda do Mestre da Fumaça Yan Wu (Tony Lee), especialista em combinar artes marciais e maconha.
Não deixa de haver certa ousadia em colocar a maconha em cena como mais um elemento. Num país onde é criminalizada, sua presença, de certa forma positiva, vai contra o status quo, inclusive aquele estereótipo do maconheiro chapado no sofá de casa. Aqui, a droga, potencializa os movimentos marciais.
Fora isso, O mestre da fumaça não está preocupado com muita coisa no plano cinematográfico. Seus personagens são rasos e, muitas vezes, caricatos. Esse é o caso do vilão interpretado por Tristan Aronovich, e chamado Caine – um americano de inglês macarrônico e cheio de tiques que, talvez, fossem para ser engraçados, mas não funcionam.
As cenas de luta, que poderiam ser o ponto forte, são picotadas demais para se apreciar os movimentos e os embates. Pode até ter havido uma coreografia bem planejada dos sopapos, mas a direção não favorece a encenação. Dessa forma, O mestre da fumaça pode até apertar, mas não acende agora o seu beck.
