Havia um tempo, não muito longe, em que o sucesso do cinema brasileiro eram as globochanchadas, um termo praticamente autoexplicativo, que se referia às comédias da Globo Filmes, todas com a mesma cara de novela, o mesmo tipo de humor. Agora, a moda são as multishowchadas – comédias que parecem todas piloto de sitcom do canal Multishow.
Barraco de Família não nega essa origem – e não será surpresa se um dia se transformar num programa de televisão. Dirigido por Maurício Eça, com roteiro de Emilio Boechat e Lena Roque, o filme tem a mesma estrutura de piloto de sitcom, apresentando personagens com seus traços marcantes e estabelecendo conflitos
Num claro desejo de se comunicar especialmente com o público juvenil, o filme se vale de uma linguagem típica da internet – referindo-se a cancelamentos, seguidores, haters e afins. É também uma produção que se passa em São Paulo – o cenário comum para esses filmes é o Rio de Janeiro –, e isso precisa ser lembrado a todo momento com referências à cidade apenas nos diálogos.
Kellen (Lellê) é um funkeira de sucesso, que é cancelada depois de uma polêmica Para contornar a situação e posar de boa moça, ela volta às suas origens, na Zona Leste, onde pretende se acertar com sua família, especialmente a mãe, Cleide (Cacau Protásio). A partir disso, a cantora volta para casa, junto com sua agente, Edna (Nany People), que irá documentar o reencontro.
Protásio, que é uma excelente atriz, merece mais do que essas comédias em que ficou acomodada. Seu potencial é muito maior do que esse filme com um timing para comédia ruim – as situações se atropelam, o humor nunca é encontrado, e diálogos gritados são tomados por comicidade.
Barraco de Família é mais uma vez o estereótipo televisivo sobre os subúrbios – agora paulista – potencializado ao ridículo carinhoso para fazer humor. O excesso de personagens e suas subtramas periféricas apontam a possibilidade televisiva do filme.
