A história é arrebatada por uma interpretação feminina cativante - no caso, da impressionante atriz novata Michèle Brand, na pele da protagonista, Anna.
Moradora de uma bucólica aldeia nas montanhas suíças, sempre cercada por paisagens enevoadas, Anna divide com sua mãe a administração de um pequeno bar-hotel. Mãe solteira de uma menina de 5 anos, Anna se apaixona por Marco (Simon Wisler), um trabalhador de fora, um tanto rude mas que parece preencher a necessidade dela de um relacionamento afetivo e familiar para a filha também.
Esse relacionamento evolui por um rumo conturbado, em que um lado desconhecido de Simon emerge, desencadeando conflitos em série nesse microcosmo que parece apartado do mundo - mas certamente não é, porque a natureza humana é a mesma em toda parte. De todo modo, as reações especialmente de Anna diante da instabilidade que toma sua vida não são usuais e constroem um dos encantos do filme.
Esplendidamente fotografado por Armin Dierolf, explorando com a mesma transparência e luz as paisagens montanhosas e o rosto de Anna, onde se lêem os altos e baixos de um enorme turbilhão emocional que se avoluma, o filme conta também com contrapontos musicais de um coral suíço, que funciona como aqueles antigos coros gregos, comentando os sentimentos da história. Todos estes recursos acrescentam à eloquência visual de Um Pedaço do Céu.
