O Rio Pastaza é um afluente do Amazonas, que cruza o Equador passando por sua Floresta Amazônica. Dirigido pela portuguesa Inês T. Alves o documentário Águas de Pastaza é altamente sensorial e acompanha o cotidiano das crianças da comunidade de Suwa, que tem pouco menos de 100 habitantes e vive isolada próxima ao rio.
As crianças têm profunda comunhão com a natureza, como bem mostra o filme. Em cena, apenas elas e seu cotidiano, com uma câmera que observa e as acompanha. Também se percebe como são independentes, os adultos só aparecem no final do documentário. É quase como um O Senhor das Moscas, mas sem crueldade, com a camaradagem e o coletivo em mente.
Não é preciso muito para que elas se divirtam, e a simplicidade, no filme, nunca é motivo de romantização, embora, claramente, o longa esteja encantado com essas crianças e sua independência. Por outro lado, o filme é também um alerta sobre o futuro dessas e de outras crianças dos povos originários. O que esperar de um mundo onde eles são dizimados?
Sem entrevistas o diálogos – às vezes, as crianças conversam entre si, mas não há legendas – Águas do Pastaza é, também, um filme um tanto árido. Há a beleza e algo de lúdico inerente à vida de seus personagens mas, mesmo com a curta duração (cerca de uma hora), fica a sensação de certo apego ao material e que um curta também daria conta do assunto.
