Do alto de seus quase 70 anos de idade, Denzel Washington é um sólido herói de ação em O Protetor: Capítulo Final, no qual leva seu personagem Robert McCall ao sul da Itália, numa pequena cidade onde descobre que o povo local, de quem se torna amigo, está sob o domínio da máfia local.
Criado em 2014, no primeiro filme da trilogia, McCall é um ex-policial que, trabalhando por conta própria ajuda pelos oprimidos – desde uma escrava sexual até os habitantes da cidadezinha italiana, que o acolhem depois de levar um tiro. A trama, assinada por Richard Wenk, não tem muito a oferecer entre as cenas de mafiosos maltratando pessoas comuns e o protagonista dando o troco a eles.
Essa alternância apenas serve para colocar McCall como uma espécie de herói mítico americano contemporâneo, o self-made man da justiça que executa a vingança com suas próprias mãos. O que tira o filme do limbo é a presença de Washington, mas nem ele é capaz de elevar o resultado final a algo além do óbvio.
Novidade na franquia é a presença de Dakota Fanning, como Emma Collins, uma agente da CIA que se torna um contato da McCall. Não há muito sobre sua personagem que não seja apenas funcional dentro da trama, fazendo o elo entre o protagonista e alguma forma de justiça burocratizada – afinal, só eles podem prender os vilões.
Os personagens são muito claramente demarcados, os vilões são vilanescos em suas ações e diálogos, uma verdadeira caricatura da máfia. Já o herói também não tem nuances, é bom e charmoso, embora bastante violento – mas o é por uma boa causa.
O diretor Antoine Fuqua até tenta trazer alguma complexidade, mas está fadado à base monocrômica do filme que quer divertir em seu espetáculo de violência e sangue, mas sem a grandiosidade de, digamos, um John Wick. Mas, no fim do dia, parece mais Denzel Washington passando as férias na Itália e rodando suas cenas entre a visita a uma vinícola e outra.
