Excesso de estilo não é o que vai salvar A maldição do Queen Mary de sua ausência de substância. Esse terror cheio de ambição, dirigido por Gary Shore, manifesta um esforço para ser visualmente bonito, e só isso. Sua trama confusa, indo e voltando no tempo e em duas linhas narrativas, acaba ficando à deriva.
O filme começa no Halloween de 1938, no qual um homem com um machado caminha pela embarcação. Voltando no tempo em algumas horas, Shore vai contar o que aconteceu até ali, e tudo se inicia com Gwen (Nell Hudson) e David Ratch (Wil Coban) e sua filha pequena, Jackie (Florrie Wilkinson). Passageiros da terceira classe, vestidos com fantasias, eles se passam por outras pessoas para ter acesso a uma festa de ricos, onde esperam mostrar os talentos da menina a um produtor de Hollywood.
Corta para o presente, quando Anne Calder (Alice Eve) e seu filho adolescente, Lukas (Lenny Rush), vão ao encontro do ex-marido dela e pai do garoto, Patrick (Joel Fry), no Queen Mary, que se tornou uma espécie de museu macabro. Ela está escrevendo um livro que se passa no navio.
Volta para o passado: Jackie dança para Fred Astaire, numa dança que não parece ter fim. Enquanto isso, seu pai é possuído por espíritos malignos. Nos dias de hoje, Lukas parece sentir também a presença de espíritos do mal. Com mais de 2 horas, A maldição do Queen Mary se deixa levar por seus excessos. As cenas são longas e sem objetivo, tudo parece não ter fim. Os momentos de gore, que deveriam ser a razão de existir do longa, são mal aproveitados e derivativos.
Poderia ser um bom filme de terror, fosse sua narrativa mais lapidada. Há um potencial de imagens aqui muito interessante, que se perde nas idas e vindas e nos personagens um tanto irritantes. Um navio pode ser o cenário ideal para um terror, com pessoas presas em alto mar, sem ter para onde fugir, lutando por suas vidas (descrevendo assim, até parece Titanic), mas esse filme afunda antes mesmo de zarpar.
