Embora não seja uma continuação de Minha mãe é uma peça, Minha irmã e eu poderia passar no mesmo multiverso e se vale dos mesmos mecanismos que fizeram o sucesso dos filmes protagonizados por Paulo Gustavo. Em comum, todos abordam os laços familiares a partir da chave da comédia rasgada, tendo também como ponto forte o timing de seus protagonistas.
Dirigido por Susana Garcia (Minha mãe é uma peça 3), o longa coloca Ingrid Guimarães e Tatá Werneck como, respectivamente, Mirian e Mirelly, duas irmãs que se distanciaram quando a segunda se mudou para o Rio de Janeiro em busca da fama. A mais velha continuou na pequena Rio Verde, onde se casou e cuida da mãe, dona Márcia (Arlete Salles), até hoje.
A vida de Mirelly é conhecida, pela família, nas redes sociais. Ela está sempre na companhia de famosos, tem uma apartamento luxuoso e dinheiro. Mas a verdade é que a moça se finge de rica, pois trabalha como cuidadora de cachorros de celebridades e está devendo até o aluguel. As duas irmãs se reencontram na festa de aniversário da mãe, na qual ela acaba ouvindo as filhas brigando, pois nenhuma quer cuidar dela. Desolada, ela desaparece.
A trama de Minha irmã e eu não é lá muito elaborada, mas isso não importa tanto assim. O que conta aqui é o espaço que as duas atrizes – em especial, a metralhadora giratória verbal de Werneck – encontram para fazer humor. O filme tem excelentes sacadas, momentos genuinamente cômicos. As cenas no apartamento de Lázaro Ramos, cliente de Mirelly, são algumas das coisas mais engraçadas a aparecer no cinema brasileiro em um bom tempo. Mas, começando pelas inexplicáveis quase 2 horas de duração, há excessos no meio, cenas e elementos que poderiam ficar de fora, dando mais dinâmica à jornada das duas em busca da mãe.
