03/06/2026
Comédia Ação

Argylle - O superespião

Elly é uma autora de livros de espionagem de sucesso, mas seu novo romance parece estar muito próximo de acontecimentos reais. Uma agência de espiões começa a persegui-la, mas um desconhecido aparece para ajudá-la.

post-ex_7

Argylle - O Superespião pode não parecer, num primeiro momento, mas é o Desejo e Reparação das comédias de ação. Em ambos, a trama dos livros dentro do filme são espelhos alterados da realidade. Aqui, no entanto, há uma diferença, pois sua autora não tem consciência disso. 

Elly Conway (Bryce Dallas Howard) é a escritora de uma série de livros de espião de sucesso chamada Argylle, protagonizada pelo personagem homônimo – em sua mente, ele é “interpretado” por Henry Cavill. Comparada a John Le Carré e Frederick Forsyth, ela acaba de lançar o quarto romance da franquia quando as coisas começam a sair dos trilhos. 

Dirigido por Matthew Vaughn, o filme brinca com a ideia dos livros de espião serem tão próximos da realidade que seus autores só podem ter sido espiões mesmo. O que não é bem o caso de Elly, embora suas tramas estejam assustadoramente próximas a acontecimentos reais, o que a torna de alvo de uma agência secreta, numa cena num trem, onde é protegida por Aidan (Sam Rockwell), um fã que se revela, na verdade, um agente da agência rival.

A trama rocambolesca concebida pelo roteirista Jason Fuchs não é difícil de acompanhar, mas é enrolada mesmo. E, no fundo, pouco importa, com suas reviravoltas ora previsíveis, ora exageradas, mas sempre como pretexto para correria, tiros e explosões. É, em certa medida, divertido, mas também cansativo quando chega a enésima reviravolta, que transforma a personagem ao revelar algo que já era, basicamente, óbvio para todo o público, menos para ela.

O filme coloca coadjuvantes de peso ao redor da protagonista para ajudar nesse processo de matar e tentar não morrer. Além de Cavill, no mundo da imaginação de Elly, também há John Cena, Dua Lipa e Ariana DeBose. Do outro lado, na realidade, estão Catherine O'Hara, a mãe e leitora dos originais da escritora, e Bryan Cranston, diretor da agência que quer eliminar a protagonista. Ou ainda o gato inseparável de Elly, que sempre é carregado numa mochila com um visor para ele apreciar a paisagem.

Há cenas de ação bastante boas, muito bem coreografadas e divertidas, como uma envolvendo gases coloridos e patinação num chão inusitado. São momentos em que Argylle - O Superespião se destaca, foge da mesmice e encontra saídas visuais criativas e vibrantes. Mas, no geral, apenas tenta se inserir num universo paralelo à franquia Kingsman, também criada por Vaughn.

post