04/06/2026
Desenho animado

Planeta do Tesouro

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Visando mais ao público adolescente do que ao infantil, este novo desenho Disney atualiza o clássico de aventuras escrito pelo escocês Robert Louis Stevenson em 1883, A Ilha do Tesouro. Um livro que, aliás, já mereceu dezenas de adaptações cinematográficas, inclusive pela própria Disney, que assinou até uma versão com os Muppets (Muppet Treasure Island, de 1996).

A principal novidade está em manter o design das caravelas do século XVII da história original só que num cenário futurista - o que as transforma em naves espaciais de aparência nostálgica mas, mesmo assim, navegando velozmente no espaço sideral e não no oceano. Como resultado, os problemas enfrentados pelas naves agora não são ondas, mas explosões de supernovas. Cenários e figurinos também tiram partido dessa estranha mistura entre nostalgia e alta tecnologia.

O inusitado deste visual híbrido tem seu charme e funciona para despertar o interesse na história do protagonista Jim Hawkins (voz de Joseph Gordon-Levitt na versão original). Desde garotinho, ele sonhava acordado com os contos sobre o tesouro perdido de um pirata espacial, o capitão Flint. Aos 15 anos, Jim é um adolescente rebelde, que vive se metendo em encrencas por praticar surfe espacial em locais proibidos, para desespero de sua mãe (voz de Laurie Metcalf), que o cria sozinha, tocando por sua conta um hotel-restaurante.

O tédio local é sacudido quando desembarca por ali um velho, que morre pouco depois, deixando nas mãos do garoto Jim uma esfera metálica. Devidamente manipulada, ela se transforma num mapa holográfico em 3-D que levaria ao esconderijo do lendário tesouro do capitão Flint.

Compreensivelmente, alguns outros seguem a pista do mapa e não são gente boa. De cara, destroem o estabelecimento dirigido pela mãe de Jim. A família tem de sumir do pedaço, refugiando-se na casa de um cientista, o dr. Doppler (David Hyde Pierce). Na seqüência, Jim convence Doppler a acompanhá-lo numa expedição ao Planeta do Tesouro, para desespero de sua mãe. Com recursos do cientista, alugam um navio voador, comandado por uma capitã-gata, Amélia (voz de Emma Thompson), onde os mais velhos poderão enxergar sinais da sinuosa Mulher-Gato da série de TV Batman, vivida pela atriz Julie Newmar.

A tripulação a bordo é a reunião do pior que se poderia encontrar. São todos piratas extraterrestres e mal-encarados, começando por Long John Silver (voz de Brian Murray). Apesar de suas inúmeras ambigüidades, Silver funciona como um modelo de pai que Jim nunca teve - e este é talvez o eixo dramático mais interessante da história, ainda mais num universo tão unilateral como o normalmente encenado em desenhos animados.

Apesar de algumas liberdades, a história é bastante fiel ao livro de Stevenson. Mas, por conta de seu discreto flerte com a modernidade, alguns detalhes sofrem transformações. O papagaio de Silver transforma-se no filme num monstrinho capaz de assumir qualquer forma, o simpático Morph. A perna-de-pau do pirata também vira uma perna mecânica ultramoderna. E um lunático personagem do livro, Ben Gunn, torna-se um robô, B.E.N. (voz de Martin Short) que certamente deve muito ao R2-D2 de Star Wars. Entre os dubladores brasileiros, não há atores famosos, mas o trabalho é de um time profissional e de bom nível.

Cineweb-10/1/2003

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