A comédia brasileira Dois é demais em Orlando não foge à fórmula de colocar lado a lado dois personagens opostos que se odeiam e precisam conviver. No caso, são o adulto infantilizado João (Eduardo Sterblitch) e o adolescente adultizado Carlos Alberto (Pedro Burgarelli), que, por conta das circunstâncias, precisam viajar juntos para Orlando, nos EUA.
Esse ponto de partida do roteiro de Daniela Ocampo e Luiza Yabrudi não seria de todo ruim ou destituído de possibilidades se o filme de Rodrigo Van Der Put não fosse uma longa propaganda de hotéis, parques e afins da cidade de Orlando. O fiapo de trama nem se dá ao trabalho de esconder isso, tudo serve como desculpa para vender escancaradamente viagens e passeios.
Bem, propagandas são vistas na televisão ou na internet, e costumam ser curtas, poucos minutos, ao contrário desses infindáveis 100 e poucos minutos. Tudo é muita diversão, para o elenco que aproveitou bem a viagem, como se vê na tela. Impossível não ter vontade de visitar o parque dos dinossauros ou uma montanha russa que vira as pessoas de ponta-cabeça em alta velocidade. Nesse sentido, o filme cumpre com o propósito de uma propaganda, de despertar a vontade de se ter algo que nem sabia que existia antes dela.
A história, porque é preciso uma, afinal, tem como protagonista João, funcionário de uma youtuber de bolos, Clara (Luana Martau, desperdiçada aqui), que, finalmente, sai de férias e vai para Orlando realizar seu maior sonho. Por conta de contratempos na empresa, ela, no mesmo momento, não poderá viajar com o filho, Carlos Alberto, para Orlando, onde mora o pai (Anderson Di Rizzi) do garoto. Assim, pede para o funcionário acompanhar o menino apenas no avião, já que o pai estará no aeroporto e pegará o garoto.
Porém, o pai, um mentiroso convicto, inventa um monte de desculpas para não ficar o menino, que é obrigado a passar mais tempo com João, contra a vontade de ambos. No fim, os dois aprenderão um monte de coisas um com o outro, e suas vidas se transformarão enquanto passeiam em parques gringos. De bom, resta apenas a presença do sempre ótimo Daniel Furlan, como o dentista Anderson Cabelo – um personagem que, felizmente, parece estar em outro filme.
