Podemos ter saído da pandemia, mas a covid-19 ainda é uma realidade. Licença para enlouquecer consegue, inexplicavelmente, tentar fazer piada com isso. Não, não é engraçado o filme escrito por Mônica Carvalho, Michele Muniz e Marcelo Corrêa e, acima de tudo, não seria o caso de fazer piada com isso. Dirigido por Hsu Chien, essa é uma comédia ultrapassada, que tenta vir com a estampa de feminista, com protagonismo de três mulheres, mas na real não é bem assim.
Sara, Lia e Leia são interpretadas por Mônica Carvalho, Danielle Winits e Michele Muniz. Três mulheres cheias de planos para 2020, quando, mal o ano começa, elas se veem fechadas em casa. As cenas da época do lockdown são gatilhos para todo lado. Mais uma vez, não precisava.
A mudança vem quando surge o convite para animar uma festa secreta na ilha de Maragogi, em Alagoas. Elas precisam cruzar o país, enfrentando a época da pandemia, com todos os problemas que há pelo caminho. Fora isso, encaram o machismo brasileiro. “Mulher no volante, perigo constante”, diz um sujeito que aluga um buggy para elas.
As piadas são do tipo, uma personagem cita o artista Picasso, aí a câmera faz um close na virilha do personagem interpretado por Henry Castelli. Não por moralismo, mas esse tipo de coisa era engraçada meio século atrás nas chanchadas; o tempo desse tipo de, dito, humor, já passou. Assim como o desse filme inteiro.
