04/06/2026
Suspense

Uma família feliz

Eva e Vicente são um casal de classe média alta, que tem duas filhas gêmeas de 10 anos, espera o terceiro filho e, aparentemente, vive num ambiente ideal. Tudo muda quando aparecem sinais de maus-tratos nas meninas e os dois passam a desconfiar um do outro.

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Baseado num roteiro do escritor policial Raphael Montes, o filme dirigido por José Eduardo Belmonte decola na crise profunda de um casal de classe média alta, Eva (Grazi Massafera) e Vicente (Reynaldo Gianecchini), a partir do nascimento de seu terceiro filho. Eles, que já têm duas filhas gêmeas de 10 anos, passam a suspeitar um do outro depois que aparecem sinais de maus-tratos nas crianças. 

O forte do enredo está na produção eficiente de um clima claustrofóbico, em que a desconfiança mútua acelera a tensão, rumando para um desfecho brutal. Grazi Massafera, especialmente, está muito bem na pele desta protagonista atormentada e dúbia, com a qual o público pode empatizar, depois duvidar - como convém a uma história de cunho policial, é importante não acreditar em nenhuma certeza. 

É sempre muito bem-vindo ter-se um filme de gênero no cinema brasileiro, ainda mais com os valores de produção deste, que tem Monica Palazzo na direção de arte, Miriam Biderman na direção de som e Leslie Monteiro na fotografia. Mas as incongruências do roteiro se acumulam, especialmente na última parte e comprometem bastante o resultado final. 

A aposta maior parece ter sido realmente em manter o clima através de um jogo de aparências - que se traduz até na ironia do título (esta família nada tem de feliz); nos bonecos que Eva faz e que são assustadoramente semelhantes a bebês reais e assim por diante. Nada é o que parece e isto sustenta, até certo ponto, a trama.

 

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