04/06/2026
Documentário

Sérgio Ricardo: Uma outra história do Cinema Novo

Documentário resgata o lado cineasta do músico, compositor e pintor Sérgio Ricardo (1932-2020), destacando os filmes que ele realizou no Cinema Novo e as trilhas sonoras que ele assinou nas obras de Glauber Rocha. Em pré-estreia no sábado (6/4) no Paradigma Cine Art (Florianópolis) e no CineBrasilTV (a partir de 13/4).

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Quando se fala em Cinema Novo, imediatamente vem à mente os nomes de Gláuber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade e outros. Poucos se lembram de Sérgio Ricardo como um dos diretores que gravou seu nome no movimento, com filmes como Esse Mundo é Meu (1963) e Juliana do Amor Perdido (1970). E uma das razões pode ser que esse artista múltiplo manifestou seu talento em inúmeras direções, como músico, compositor, cantor, pintor, além de roteirista e cineasta que, nesse campo, teve ainda o mérito de revelar seu irmão, Dib Lutfi, como um dos fotógrafos mais notáveis do cinema brasileiro.

Não é fácil dar conta dos inúmeros aspectos do talento e da personalidade de Sérgio Ricardo, que se tornou famoso, injustamente, por um incidente em 1967, ainda na época dos festivais da TV Record, quando quebrou seu violão diante das câmeras, visivelmente irritado porque o barulho da platéia não o deixava ouvir a própria melodia. Mas o documentário Sérgio Ricardo: Uma Outra História do Cinema Novo tenta, justamente, ampliar o olhar sobre a obra do artista, que morreu em 2020, aos 88 anos, sem ter obtido todo o reconhecimento merecido.

No documentário, Sérgio aparece numa entrevista, bem à vontade, em seu apartamento no Vidigal, no Rio, lembrando seu início precoce na música, aos 8 anos, como aluno no Conservatório. A essa formação clássica, mais tarde ele juntaria a experiência na noite carioca, a princípio como pianista de boate, tornando-se depois também violonista, amigo de João Gilberto e Tom Jobim. Bossanovista, ele se desviou para a música de temática social a partir de Zelão, que era o lado B de um disco e obteve grande repercussão. 

A interpretação sutil de cantor bossanovista seria definitivamente abandonada por influência de Gláuber Rocha. Autor da impactante trilha de Deus e o Diabo na Terra do Sol, Sérgio foi instado por Gláuber a ser o intérprete de suas músicas, mas num tom bem mais alto, gritado, “como um cantador de feira”, na descrição do próprio cantor. Em Terra em Transe, em que Sérgio mais uma vez assinou a trilha, Gláuber o estimulou a fazer a orquestração, um campo que ele ainda não havia experimentado. 

Uma parte importante do documentário está nos depoimentos saborosos de amigos como Ziraldo, Antonio Pitanga, Othon Bastos, Alceu Valença e Geraldo Azevedo, que recordam histórias curiosas dos filmes em que atuaram na companhia ou sob a direção de Sérgio Ricardo. Completam o painel imagens preciosas dos filmes realizados por ele e que merecem ser colocados novamente em circulação sob todas as formas, para que o lado cineasta deste artista múltiplo seja devidamente redescoberto.

 

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