23/06/2026
Documentário

As linhas da minha mão

A atriz e performer Viviane de Cassia Ferreira está ao centro desse documentário premiado, no qual ela discorre francamente sobre sua vida, sua prática artística, seus amores e sua saúde mental.

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Tendo ao centro a atriz e performer Viviane de Cassia Ferreira, o documentário As Linhas da Minha Mão é uma experiência cinematográfica que confia e se vale dos sentidos. Dirigido por João Dumans, o filme propõe uma investigação da práxis artística. 

Premiado na Mostra Aurora do Festival de Tiradentes de 2023, o longa coloca a artista ao centro do seu palco pessoal e profissional, acompanhando seu labor e também sua vida. Já começa com ela explorando o próprio corpo, na prática de ioga, e logo, na cena seguinte, está discutindo Nietzsche com um primo, uma presença constante em sua vida. 

O papel social da arte é um dos questionamentos aqui. Viviane fala sobre questões metafísicas e materialistas sobre sua profissão. Ela é uma mulher interessante e muito rica em seu conhecimento, além do carisma com o qual se abre na frente da câmera. Falando fracamente sobre experiências sexuais e problemas mentais, ela compartilha lembranças tristes, como a dificuldade de conseguir remédios num hospital público.

Suas falas são sedutoras, ela tem uma enorme capacidade para contar histórias. Seu esquema intelectual da performance, como chama, são fragmentos, recriações verbais, narrativas de cenas. O filme começa com isso, mas muda sua narrativa ao longo do caminho, mostrando mais interesse em seu material humano - do qual origina a artista. É muito sincero em seu retrato dessa mulher expansiva e falante, cujas experiências são captadas em longos planos-sequência, o que lhe dá toda abertura, sem o corte, para falar de suas experiências. Mesmo assim, às vezes, parece se estender um pouco demais. 

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