Férias trocadas é uma daquelas comédias brasileiras que são despejadas aos montes o tempo nos cinemas: banal, destituída de charme, humor mais afiado ou algum diferencial que justifique sua existência. Talvez o que mais surpreenda aqui é que tenha sido dirigida por um diretor experiente como Bruno Barreto, pois parece filme de iniciante, ou pior, dirigido por inteligência artificial.
É impressionante que um filme desses tenha precisado de cinco roteiristas para chegar a essa trama tola e sem criatividade. Edmilson Filho interpreta dois personagens: Zé Eduardo, dono de uma escolinha de futebol, e Edu, um empresário de sucesso e estressado. Com suas famílias, ambos vão para o mesmo destino, na Colômbia. Deveriam hospedar-se em lugares diferentes, mas uma confusão no aeroporto faz com que acabem indo cada um para o lugar do outro.
Zé, sua mulher Suellen (Aline Campos) e a filha Rô (Klara Castanho) acabam ficando num hotel de luxo. Eles ganharam a viagem uma rifa e, supostamente, ficariam numa pousada ruim e longe de tudo. Quem vai parar nesse lugar é Eduardo, com sua mulher Renata (Carol Castro) e o filho tiktoker João (Matheus Costa). Sem internet ou mordomias, aprenderão um novo valor para a vida.
Basicamente, não é difícil imaginar o que vai acontecer com cada família em um cenário diferente daquele a que estão acostumados. Comédia não é exatamente um gênero que prime pela surpresa. Pelo contrário, a construção da expectativa pode gerar o riso. Mas Férias Frustradas abusa desse conceito. Tudo é dolorosamente óbvio.
Na pousada isolada, por exemplo, não existe papel higiênico, mas sabugo de milho. Então, espera-se a hora que alguém precisará se limpar e terá de o fazer com o sabugo de milho. Mas não resulta em nada engraçado, nem no conceito.
O fato de Zé Eduardo e José Eduardo terem exatamente a mesma cara – apenas com o cabelo diferente – nunca é mencionado no filme. Poderia haver alguma subtrama de gêmeos separados no nascimento, e um foi para uma família pobre, e outro, para uma rica, ou algo assim, mas isso nunca acontece no longa, que se contenta em fazer pouco, muito pouco.
