18/07/2026

Foram os sussurros que me mataram

Ingrid Savoy é uma atriz de sucesso que está prestes a entrar num reality show. Enquanto aguarda num quarto de hotel, a cidade é destruída por anarquistas e paparazzi fazem de tudo para conseguir fotografá-la.

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Foram os Sussurros que Me Mataram, escrito e dirigido por Arthur Tuoto, pretende dar conta de diversos temas contemporâneos, como reality shows, culto a celebridades, terrorismo e anarquia. Não é pouca coisa, e não poucos cineastas veteranos não se aproximariam de tudo isso. Tuoto, que tem experiência em videoarte, em seu primeiro longa tenta abarcar coisas demais. Percebe-se que há ideias ali, mas nem todas exploradas com profundidade. 

A primeira coisa que chama a atenção é o estranhamento que causa – embora não seja exatamente do tipo brechtiano, mesmo tendo o teatro como uma forte influência, especialmente estética. E isso não apenas pela concentração da ação num único cenário (um quarto de hotel), mas pela atuação empostada e as cenas construídas com uma verbalidade que explicita muito. 

Mel Lisboa interpreta Ingrid Savoy, uma atriz de sucesso que espera num quarto de hotel para entrar num reality show. Enquanto está lá, os paparazzi buscam de todas as formas conseguir imagens dela. É também um entra e sai de pessoas ligadas a ela e ao programa. 

Em sua estreia em longas, Tuoto se mantém fiel ao experimentalismo de sua obra pregressa em outras mídias. Foram os Sussurros que Me Mataram parece apontar para um diretor que pode trilhar um caminho interessante no cinema também. Mas ainda não foi desta vez. 

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