19/07/2026
Terror

Imaculada

Cecília é uma jovem freira estadunidense que se muda para a Itália, para viver num convento nesse país. Logo após sua chegada, descobre-se que, mesmo virgem, está grávida, o que é interpretado como um milagre.

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A opressão feminina, religiosa ou secular, tem diversas faces em Imaculada, um projeto que a atriz Sydney Sweeney nutre há anos, e que, finalmente, conseguiu realizar, sob a direção de Michael Mohan. Esse é um dos nunsploitation mais sanguinolentos dos últimos tempos. É como Benedetta com muito sangue no lugar do elemento sexo. 

Sydney é a protagonista, Irmã Cecilia, uma estadunidense que, quando criança, se afogou num lago congelado, foi dada como morta, e alguns bons minutos depois os médicos conseguiram reanimar. Desde então, ela crê que Deus tem um propósito maior para ela, por isso, entregou sua vida à Igreja Católica. 

Agora, uma jovem adulta, muda-se para um convento na Itália, onde irá fazer seus votos. O local centenário, construído sobre a tumba de Santo Estevão, abriga freiras idosas com problemas de saúde física ou mental. É para lá que vão esperar a morte. Cecilia, por sua vez, foi para lá pois sua paróquia, nos EUA, fechou pela falta de fieis. O motivo de uma freira sair de seu país e precisar ir até a Itália para continuar seu trabalho não fica muito claro, mas enfim. 

O ambiente é gótico, o que impressiona a jovem freira, que logo faz uma inimiga, a irmã Mary (Simona Tabasco), e uma amiga, a italiana Irmã Gwen (Benedetta Porcaroli), que entrou para o convento para fugir da opressão masculina em seu vilarejo – mal sabe ela. Entre um susto e outro, logo o filme, roteirizado por Andrew Lobel, encontra sua questão central: Cecilia, uma virgem, descobre-se grávida. Todos comemoram – em especial, o padre local, Sal Tedeschi (Álvaro Morte) – pois esta será a segunda vinda de Jesus. 

A partir daí, o que era um filme construído mais com atmosfera e sugestão torna-se uma montanha russa de sustos baratos e sangue, muito sangue. Horrores físicos são infligidos às jovens freiras, e o mínimo de coerência desaparece do filme. Sydney é uma atriz talentosa, como já mostrou, e assina como produtora aqui também, mas ela não é capaz de desviar-se das incoerências dessa história, nem da personagem, que se torna cada vez mais caricata. 

Mohan, claramente, está se inspirando em horrores italianos dos anos 70, como os de Dario Argento e Mario Bava, e até em O Bebê de Rosemary, mas faltam-lhe a criatividade e o apuro visual para fazer um filme memorável. Suas escolhas são banais, como meros pretextos para fazer jorrar mais sangue, sem qualquer vigor ou inventividade. 

 

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