04/06/2026
Drama

A filha do pescador

Samuel vive numa pequena ilha no litoral da Colômbia, onde trabalha como pescador. Solitário, ele sente saudades do filho que se mudou há alguns anos. O retorno desse filho trará mudanças radicais em sua vida, pois o rapaz passou por um processo de transição de gênero.

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Samuel (Roamir Pineda) é um dos últimos pescadores que mergulha para pescar meros, e vive numa pequena ilha isolada na Colômbia, ao lado de outros pescadores. Sua mulher o abandonou anos atrás, e o filho também foi embora. A filha do pescador, escrito e dirigido por Edgar de Luque Jácome, começa delineando o perfil desse homem solitário. 

A vida tranquila e melancólica está prestes a mudar com a chegada de Priscila (Nathalia Rincón), a filha do protagonista que passou por um processo de transição de gênero. Samuel tem dificuldades de lidar com isso, continua chamando-a de Samuelito e a obriga a se esconder dos outros pescadores. O tio dela é mais direto e acha que algumas semanas trabalhando como pescador irá “curar o jovem dessa fase”.

Não é de se espantar que a pequena comunidade retratada por Luque Jácome, na qual parecem existir apenas homens, seja preconceituosa. É o comportamento esperado deles, mas, nem por isso, o diretor naturaliza ou normaliza essa atitude. Priscila se frustra, silencia, cercada por inimigos. 

Aos poucos, no entanto, as barreiras entre Priscila e Samuel começam a esmaecer e os laços familiares e de afeto se mostram mais fortes. Pode ser um caminho, talvez óbvio, para a narrativa, mas o diretor o transita com atenção e carinho por seus personagens, embora algumas coisas ocorram de forma um pouco apressada. 

Ao centro do filme, destaca-se a performance da estreante Rincón, que se revela uma atriz segura em sua atuação, que encontra em Pineda o parceiro de cena ideial, interpretando um homem que, por muito tempo, sente falta de um afeto, que finalmente, pode recuperar novamente depois de anos. 

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