04/06/2026
Documentário

Fausto Fawcett na cabeça

Ícone da cultura pop brasileira dos anos de 1980 e 1990, o carioca Fausto Fawcett escreveu romances e poesias, compôs e interpretou músicas, na maior parte das vezes, marcadas pela sensualidade da mulher brasileira. O documentário resgata sua trajetória até o presente.

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Fausto Borel Cardoso, mais conhecido como Fausto Fawcett (o sobrenome artístico é uma homenagem à pantera Farrah Fawcett) é um ícone da música brasileira dos anos de 1990, com canções como Katia Flávia, a Godiva do Irajá, Rio 40 Graus, Marinara, entre outras. Seu nome sempre é associado a uma sexualidade livre, não poucas vezes próxima da pornografia – mas não do tipo mais comum, que as pessoas procuravam escondidas em revistas ou cinemas (lembrando que na época não havia internet), mas numa veia ao mesmo tempo sensual e até satírica, capaz de escancarar a hipocrisia conservadora da sociedade brasileira. 

O documentário Fausto Fawcett na cabeça, de Victor Lopes, dá protagonismo a esse artista que, hoje, está com 67 anos, acumulando uma trajetória que conta não apenas com músicas e shows, mas também livros que estão conectados a tudo isso, como o romance Santa Clara Poltergeist e a coletânea de contos Básico Instinto – ambos nomes de show do músico. 

Não por acaso, o filme é caótico – num bom sentido. Não faria sentido um documentário sobre Fausto ser comportado, convencional. Conta com seus depoimentos e de colaboradores – como Fernanda Abreu, que o conheceu quando ela cursava sociologia na PUC, no começo dos anos de 1980. O filme resgata também diversas das musas do cantor, compositor, poeta e escritor, como Regininha Poltergeist, possivelmente, a mais famosa delas. 

De certa forma, Fausto Fawcett na cabeça é uma celebração de quanto éramos mais ingênuos e menos conservadores enquanto nação. O documentário é como uma ode a um mundo pré-internet quando, também, éramos menos cínicos. A sexualidade feminina era uma via de mão dupla para Fawcett. Por mais que as mulheres fossem musas e objetos do desejo, ele também celebrava a sexualidade livre delas, quando podiam ser uma Godiva do Irajá sem qualquer sentimento de culpa. 

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