Haley Bennett sacode a poeira do filme de época em A Viúva Clicquot, em que ela encarna Barbe-Nicole Ponsardin Clicquot - a mulher por trás do rótulo de uma das champanhes mais famosas do mundo.
Barbe-Nicole tinha apenas 27 anos, no final do século XVIII, quando seu marido, François Clicquot (Tom Sturridge), morre - embora o filme dirigido por Thomas Napper habilmente intercale participações dele em flashbacks que são essenciais para a compreensão da história e da própria personalidade de sua viúva.
Com a morte do filho, seu pai, Philippe (Ben Miles), pensa em aceitar uma proposta de venda das vinhas de sua propriedade, espertamente colocada na mesa por seus vizinhos e concorrentes, os Moët. Contra toda a lógica e a expectatva, a jovem viúva, que é a herdeira legal, recusa esta venda e convence o sogro a deixá-la por algum tempo dar continuidade às experiências que ela e François promoviam com suas uvas.
Na fotografia comandada por Caroline Champetier, são bastante belas as sequências que mostram como François foi, progressivamente, ensinando Barbe-Nicole a conhecer as vinhas e a participar de seus experimentos, que visavam obter bebidas de sabor peculiar - uma tarefa em que a esposa vai rapidamente mostrar talentos verdadeiramente alquímicos.
A montagem de Richard Marizy sobrepõe estes momentos suaves do passado recente e o cotidiano duro da viúva, comandando pessoalmente a propriedade contra a má-vontade e a franca oposição de seu capataz, Droite (Paul Rhys). Trata-se, pois, do enfrentamento do mais puro machismo, que se sente encorajado diante da evidente juventude e inexperiência da viúva, que terá, no entanto, um aliado poderoso no distribuidor de seus vinhos, Louis Bohne (Sam Riley).
Homem do mundo e atento ao potencial que novidades podem exercer sobre mercados externos - neste momento, de difícil acesso por conta de restrições das leis napoleônicas -, Bohne torna-se rapidamente amigo, confidente e algo mais nesta verdadeira guerra que a viúva move contra o mundo preconceituoso que a cerca - e é nisto que reside a principal atração desta história sobre empoderamento feminino, que tem na atriz norte-americana Haley Bennett uma intérprete sensível. Não à toa, ela quis produzir este filme - é mesmo um papel de grande potencial.
