São três diferentes histórias que têm como cenário as ruas e arredores da cidade de Ho Chi Minh, antiga Saigon. Entre elementos da cultura tradicional vietnamita e a invasão de grandes símbolos da cultura ocidental, os personagens vivem paixões e buscam caminhos nesta nova sociedade. Kien Na (Nguyen Ngoc Hiep) é uma jovem apanhadora de botões de lótus, plantas cultivadas num lago que circunda um antigo e quase abandonado templo, onde mora um velho poeta. Mestre Dao (Tran Manh Cuong) vive recluso, devastado pela lepra. Kien Na é convidada a escrever os poemas ditados por Mestre Dao e passa a ser o contato do velho poeta com o mundo.
Hai (Don Duong) tem um táxi-bicicleta e se apaixona por uma prostituta de luxo, Lan (Zoë Bui). Hai conduz Lan mais do que simplesmente aos hotéis. Os dois, cada um a seu modo, tentam (re)encontrar seu lugar no mundo.Woody (Nguyen Hou Duoc) é um menino de rua que vende bugigangas como relógios e isqueiros, numa caixa de madeira que ele carrega como maleta. Quando a caixa é roubada, numa noite num bar sintomaticamente batizado como Apocalypse Now, o menino cruza o caminho de todos os outros personagens, tornando-se assim o fio condutor da história.
James Hager (Harvey Keitel) é um ex-soldado americano que retorna ao Vietnã para procurar sua filha. Um papel pequeno, mas uma ótima interpretação, como sempre, especialmente a cena do encontro da moça.
Em Três Estações, Tony Bui nos conta, com muito lirismo e poesia, uma grande história de pessoas lutando pela sobrevivência numa nova ordem social. É uma conquista minimalista que o filme diga tanto por imagens - belíssimas - e com tão poucas palavras.
