Primo pobre de Colateral, do Michael Mann, Ligação Sombria é só mais uma desculpa para Nicolas Cage expor seu histrionismo num filme sem muitos atrativos a não ser a performance exagerada dele para os fãs. Dirigido por Yuval Adler, a partir de um roteiro de Luke Paradise, o longa, que começa sem muita consistência, termina de forma pouco crível, depois de irritar por 90 minutos.
Joel Kinnaman é David, um homem de classe média com um carro bom que acaba de deixar seu filho pequeno na casa da sogra. Em seguida, ruma à maternidade para encontrar sua mulher, prestes a dar à luz à nova filha do casal. No histórico deles, há um trauma: perderam uma filha por complicações no parto, por isso esse é um momento de tensão na vida do casal. E ele precisa estar ao lado da mulher.
Quando chega à garagem do hospital, no entanto, um estranho (Cage) entra pela porta de trás do carro, aponta uma arma para cabeça de David e o manda dirigir. Aí começa o filme, em sua longa jornada noite adentro com uma arma na cabeça do motorista, e esse novo passageiro falando (geralmente com a voz alta e estridente) qualquer coisa que lhe vier à cabeça.
Aos poucos, revela-se o motivo que move o estranho, mas é tudo um tanto confuso e banal na direção pouco inspirada de Adler, que entrega o filme totalmente a Cage. Não que Kinnaman fosse, em si, uma presença marcante, mas aqui é mera escada para as histerias do parceiro de cena.
David tenta várias maneiras para fugir do carro ou se livrar do estranho, mas nada funciona até que acabam num restaurante de beira de estrada, onde a violência gratuita se torna o ponto alto do filme.
Com um cabelo vermelho à la Pica-Pau (sim, o personagem do desenho), um blazer vermelho com motivos de pele de lagarto, Cage talvez seja um diabo que escapou do inferno e está brincando com a vida de David. Ou, talvez, realmente existam ligações do passado – como o título brasileiro insinua – que os unem.
Adler nunca encontra um tom para o filme, que transita entre o horror e o drama sem convencer em nenhum. Piora quando Cage vai de um personagem maldito e cheio de ironia a alguém honesto que quer abrir seu coração sobre o passado. O personagem de Kinnaman também não faz o menor sentido nessa reciclagem de clichês previsíveis. A tensão que deveria governar a ação é precária, assim como o desenvolvimento dos personagens. Duas décadas atrás, esse poderia ser um filme lançado direto nas locadoras. Hoje, poderia estrear num streaming sem passar pelo cinema. O recente sucesso de Cage com Longlegs – Vinculo Mortal talvez explique o lançamento em salas.
