03/07/2026
Drama

Sofia foi

Depois de ser expulsa de casa, a jovem Sofia se refugia na Cidade Universitária da USP. Lá, entre encontros com amigos e desconhecidos, ela repensa sua vida e toma uma decisão sobre seu futuro.

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Sofia (Sofia Tomic) foi expulsa da casa, então, não tem para onde ir. Passa um dia inteiro no campus da USP no Butantã, em especial nos arredores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. No espaço estudantil desse prédio, ela faz tatuagens para se sustentar, mas, confessa, não fez as contas para saber se deu lucro.

Dirigido por Pedro Geraldo e protagonizado por Sofia Tomic, o filme é sobre como a Sofia do título abandona sua vida. O roteiro, assinado pela dupla, não se importa muito em detalhar de onde ela vem, nem pra onde vai, mas se apega ao gesto de ir, especialmente num tempo passado – como aponta o título. 

Nesse sentido, é uma investigação sobre o vazio na vida de uma personagem andando pelos becos e grandes espaços abertos da USP, não em busca de um sentido, mas apenas para passar o tempo. Os encontros, com amigas e desconhecidos, são fugazes, mas neles se descobre um pouco sobre a protagonista. Não muito. Sofia acaba o filme da mesma maneira como começa: uma incógnita. Por isso, seu ato extremo, no prólogo, acaba se esvaziando. 

Construído numa forma experimental, Sofia Foi se apoia nas lacunas, nas ausências que impedem o vínculo com a protagonista. Pode ser o retrato de uma geração que nasceu e cresceu no século XXI, marcada pelos laços tecnológicos – o furto do celular da protagonista é um enorme problema, ela perde o contato com o mundo. O espaço da Cidade Universitária, que deveria ser de acolhimento e descoberta, se torna hostil, perigoso. Mas, talvez, o mais inusitado é ela passar um dia inteiro na USP e não encontrar nenhuma das capivaras que moram ao lado da Raia Olímpica. Frustrante. 

 

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