04/06/2026
Drama

Feliz Ano Velho

Mario é um jovem universitário de classe média que sofre um acidente quando mergulha num lago, ficando tetraplégico. Enquanto passa por um processo de reabilitação, tenta refazer sua vida.

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Com o enorme sucesso de Ainda estou aqui, é normal que ressurja o interesse por Feliz Ano Velho, adaptação de Roberto Gervitz do romance autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, publicado em 1982, no qual o, na época, jovem autor conta sobre o acidente que sofreu aos 21 anos e que o deixou tetraplégico.

No longa, também roteirizado pelo diretor, o protagonista se chama Mário, deixando claro que esse é o filme de Gervitz, e não o livro ou a biografia de Marcelo – ou seja, haverá liberdades narrativas, o que é normal numa adaptação. Entre as mudanças, além de nomes dos personagens, está o tom mais sério adotado no longa se comparado ao romance ou à bem-sucedida adaptação teatral do livro, que são mais bem-humorados.

Protagonizado por Marcos Breda, o longa de 1988 traz ao seu cerne, por meio da trajetória de Mário, um retrato da geração que nasceu durante a ditadura e agora começava a experimentar a liberdade, sem, ao certo, saber o que fazer com ela. O acidente toma, simbolicamente, a dimensão de um aviso: é preciso certo cuidado ao abraçar essa liberdade, nem tudo está tão livre quanto parece.

Por meio da jornada deste protagonista, o filme atinge elementos e sentimentos universais no sentido de retratar jovens em seu processo de amadurecimento, descoberta do mundo e de si mesmos. O elenco jovem ainda inclui nomes como Malu Mader e Betty Gofman, ao lado de atores mais experientes, como Marco Nanini e Isabel Ribeiro. 

Se Fernanda Torres brilha como Eunice Paiva no longa de Walter Salles, Eva Wilma é uma espécie de “primeira Eunice” no cinema, e, apesar de não ser a protagonista, está excelente nessa personagem que se tornou amada pelo público brasileiro. Se o filme mais recente conta a história da família do ponto de vista dela, Feliz Ano Velho o olhar de Marcelo/Mário. Juntos, os dois filmes se complementam e abrem um diálogo que nos faz pensar como chegamos até aqui.  

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