Publicado em meados do século XIX, o romance de Alexandre Dumas O Conde de Monte Cristo desfruta de uma posição perene no cânone da literatura mundial, especialmente por seu gosto popular. Afinal, uma história de injustiça e vingança nunca sai de moda. A nova adaptação, assinada por Alexandre de La Patellière e Matthieu Delaporte, injeta um novo fôlego na história, num filme no qual suas três horas passam sem sentir.
Isso se deve à ação ininterrupta, na qual os tempos mortos inexistem, e ao excelente elenco liderado por Pierre Niney, como Edmond Dantés, que, mais tarde será o Conde de Monte Cristo. Oficial brilhante da marinha, ele acaba de receber uma promoção. Apaixonado pela jovem Mercédès Herrera (Anaïs Demoustier), ele é preso no altar sob a falsa acusação de complô com Napoleão Bonaparte e mandado para uma prisão numa ilha. Isso tudo acontece em poucos minutos de filme, o que dá ao longa bastante tempo para trabalhar na vingança do personagem-título.
Preso durante 14 anos, ele conhece um companheiro da cela ao lado, o abade Faria (Pierfrancesco Favino), que não apenas lhe ensina diversas línguas como também revela seu plano para fugir e a existência de um tesouro numa ilha desconhecida. Tudo isso, obviamente, será útil na vingança que Dantés executará ao conseguir fugir, descobrir que foi traído e que sua amada casou-se com seu melhor amigo e primo dela, Danglars (Patrick Mille).
Agora assumindo a identidade de um homem rico e misterioso, ele investiga que, além de Danglars, o responsável por sua prisão é também o juiz de Villefort (Laurent Lafitte). Munido de máscaras mais impressionantes do que as de Tom Cruise em Missão Impossível, Dantés assume diversas personalidades que lhe permitem executar seu plano. Entre seus “instrumentos”, estão a jovem Haydée (Anamaria Vartolomeï, de O Acontecimento, excelente aqui) e Andrea (Julien De Saint Jean), dois protegidos que têm papel fundamental no plano. Haydée é uma personagem complicada pois, originalmente, é uma escrava comprada por Dantés, mas aqui ela assume uma função muito mais ativa do que no original.
Conhecido por qualquer estudante de ensino médio na França, O Conde de Monte Cristo é um catatau com mais de 1000 páginas que acabam condensadas no filme. Isso não é exatamente um problema, pois a trama é bem redonda e a ação muito bem delineada. Junta-se a isso o excelente elenco, em especial Niney, que domina o filme, e Demoustier, que, embora merecesse mais cenas, é marcante em sua atuação, especialmente numa sequência com Dantés num jardim de inverno.
O tema caro a Dumas, do desejo de vingança cega, está aqui, mas numa embalagem ao modo de uma Hollywood clássica com muito vigor e paixão, o que faz espanar qualquer traço de poeira que pudesse existir em O Conde de Monte Cristo.
