Utilizando-se da impressionante capacidade de imitação vocal do ator inglês Alistar McGowan, Mark Cousins cria uma obra imensamente original sobre o renomado diretor Alfred Hitchcock, montada como se fosse uma reflexão pessoal deste, com sua voz do além-túmulo, comentando sobre as próprias obras.
Este recurso empresta ao filme um clima que é a mais perfeita tradução da ironia do mestre do suspense, referindo-se a detalhes de alguns de seus títulos mais celebrados, como Os Pássaros, Um Corpo que Cai, Festim Diabólico e Janela Indiscreta - sem esquecer as produções modestas, realizadas no começo de sua carreira, na Inglaterra - cujas imagens formaram parte nada desprezível do imaginário do século XX, tornando seu autor um nome incontornável da história do cinema.
Esta já muitas vezes demonstrada criatividade de Cousins ultrapassa e muito a intenção inicial desta obra, de comemorar o centenário do primeiro filme de Hitchcock, desta maneira celebrando a permanência da influência deste realizador - que muitos críticos, em sua época, desprezaram, por ser supostamente muito "comercial". Hitchcock, afinal, cometera o pecado de ter um público imenso e cativo de suas sofisticadas produções, cujo engenho e refinamento o tempo permitiu avaliar melhor.
Dono de um senso de humor sarcástico, não isento da auto-ironia, Hitch, certamente, se divertiria muito com esta homenagem - que não deixa de pontuar a grandeza de sua obra.
