04/06/2026
Documentário

Luiz Melodia - No Coração do Brasil

Com uma carreira que se iniciou na década de 1970, Luiz Melodia é um dos nomes mais importantes da MPB. Por meio de imagens de arquivo, o documentário relembra sua obra e sua vida. Nos cinemas

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Como diz o pai de Luiz Melodia, Oswaldo Melodia, ele também um sambista, com esse sobrenome não tinha como o filho não seguir na música. O documentário Luiz Melodia – No Coração do Brasil narra a trajetória do artista nascido no morro de São Carlos, no bairro do Estácio, em 1951. 

Dirigido por Alessandra Dorgan, este é um documentário em primeira pessoa, resgatando entrevistas, depoimentos e apresentações do próprio Melodia, construindo assim sua história a partir de sua própria visão dela. De seus sucessos como Juventude Transviada, Pérola Negra e Magrelinha – da qual, aliás, vem o subtítulo do filme – aos seus embates com gravadoras, uma vez que não se encaixava nos rótulos que elas insistiam em colocar em artistas negros. 

Ele mesmo diz que esperavam que ele só fizesse sambas, por ter nascido no morro, ser negro e filho de um sambista. Mas Melodia, que morreu em 2017, transitava entre gêneros, indo do jazz ao pop e à MPB. A pluralidade musical do artista é captada na montagem de Joaquim Castro, que contempla diversas fases da carreira assim como as várias facetas do músico. 

Um dos momentos mais inesquecíveis é a parceria, no palco, entre Zezé Motta e Melodia, cantando Magrelinha. Uma cena icônica da cultura brasileira nos anos 1970. Outra cena marcante, Melodia e Elza Soares interpretando juntos Fadas, do DVD do álbum Ao vivo convida. A potência dele, ao lado dessas duas mulheres, é impressionante. As vozes marcantes dos três, além das presenças de palco únicas, dão uma força ao filme, que sabe muito bem aproveitar-se desses trechos, deixando-os correr livres na tela. 

O documentário de Dorgan capta muito bem o Melodia, de sua aura de poeta no palco ou no estúdio, mas também seu lado politizado, como num histórico show no MIS, em 1984. “Nesse tempo de crise que nós estamos vivendo, seria bom se nós dançássemos. É bom se soltar; enquanto existe música dentro de cada um, existe liberdade”, disse ele durante a apresentação. É nesse tom de música e liberdade que esse filme existe. 

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