04/06/2026
Documentário

Antonio Bandeira - O Poeta das Cores

Antonio Bandeira (1922-1967) foi um pintor cearense que se tornou respeitado como pioneiro da abstração lírica. O documentário resgata sua trajetória, numa vida que foi bastante curta, embora cheia de realizações.

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O nome do pintor cearense Antonio Bandeira (1922-1967) talvez não seja tão conhecido como deveria fora dos círculos mais especializados das artes plásticas. Pioneiro da abstração lírica, ele estudou na Europa e deixou uma obra hoje valorizada por colecionadores particulares, galerias e museus, inclusive por sua morte precoce, com apenas 45 anos. 

Com a decisiva participação de um sobrinho do artista, o também pintor Francisco Bandeira - que guarda uma impressionante semelhança física com o tio -, o documentário Antonio Bandeira - o poeta das cores, de Joe Pimentel, contribui para que se levantem alguns véus sobre uma figura de grande importância no cenário artístico brasileiro.

Bandeira foi amigo de outro artista, Aldemir Martins, que conheceu no exército e que com ele quase foi para a II Guerra. Fora dessa breve vida militar, Bandeira integrou-se no dinâmico ambiente do movimento modernista no Ceará, que tinha duas vertentes, uma mais operária (no CCBA), outra mais intelectual (em torno do Scap). 

A visita do artista suíço Jean-Pierre Chableau muda a vida de Bandeira. Este o leva para o Rio de Janeiro e ele ganha uma bolsa de estudos em Paris, onde deveria ficar por 18 meses. Num ambiente ainda abalado pelas dificuldades do pós-guerra, sem saber falar francês e com pouco dinheiro, Bandeira desfrutará, no entanto, de toda a ebulição da capital francesa, para a qual, naquele momento, acorrem de volta os artistas, que abraçam o abstracionismo com paixão.

De volta ao Brasil, em 1951, o jovem pintor permanece três anos, participando da primeira Bienal, que abriu espaço para a tendência da abstração geométrica. Naquela altura, porém, o pintor não foi bem acolhido. O que muda radicalmente na segunda Bienal, quando ele ganha um prêmio da FIAT e volta à Europa, desta vez para a Itália - onde sua obra ganha cores e leveza e ele participa de algumas exposições.

Além da pintura, outras artes o interessavam, como a poesia e o cinema - ele atuou, ao lado da atriz Maria Fernanda, no filme Périphérie, feito numa favela de São Paulo, e também protagonizou O Colecionador de Crepúsculos, filme de João Maria Siqueira sobre ele que restaria inacabado e do qual algumas imagens integram este documentário. 

Numa segunda volta ao Brasil, em 1961, ele já está consagrado. Inaugurando seu museu, a Universidade Federal do Ceará encomenda-lhe 37 quadros e ele faz ainda mais, chegando a 41 telas. Com o golpe de 1964, ele volta à França, mas retorna ainda ao Brasil mais uma vez, vivendo um “momento crepuscular”, em que se infiltra uma veia mais expressionista em suas obras, que incorporam materiais como sisal e as telas não raro são desfiadas. 

Morto depois de uma operação malsucedida, na França, para retirada de um pólipo na garganta, Bandeira teve abortada sua consagração internacional, que se anunciava com uma exposição em Nova York que, afinal, não se realizou. Hoje, muitas de suas obras estão em coleções particulares e, segundo especialistas, existem até algumas falsificações. O filme termina com a leitura de uma comovente carta do poeta Carlos Drummond de Andrade sobre ele.

 

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