04/06/2026
Comédia Drama

As Aventuras de uma Francesa na Coreia

Iris é uma mulher francesa de meia-idade que, por alguma razão, veio parar na Coréia do Sul. Sem dinheiro, ela consegue ser hospedada por um jovem estudante e procura dar aulas de francês para sobreviver. Sem experiência ou didática, ela mantém conversas inusitadas com seus candidatos a alunos. Nos cinemas.

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Na obra do cineasta sul-coreano Hong Sang soo, o minimalismo é tudo - a ponto de às vezes se correr o risco de perder de vez o fio de suas histórias, sempre construídas com tanta sutileza, com detalhes aparentemente tão miúdos que podem permanecer ocultos ao primeiro olhar.

Ganhador do quarto Urso de Prata em Berlim na carreira do diretor, As Aventuras de uma Francesa na Coreia registra a terceira parceria de Sang soo com a atriz francesa Isabelle Huppert - depois de A Visitante Francesa (2012) e A Câmera de Claire (2017) -, o que é garantia certa da abordagem do choque cultural intrínseca na trama. Ela interpreta Iris, uma francesa desgarrada na Coréia do Sul, que não se sabe muito bem como nem porquê foi parar lá e, sem dinheiro, encontrou como meio de sobrevivência lecionar francês para os locais.

Nesta nova profissão, já se insinua um estranhamento, já que Iris não esconde sua falta de experiência e didática. Ela se aproxima dos potenciais alunos para conversas em inglês, em que aborda assuntos peculiares e até íntimos, que ela transforma em material para ensino, depois de traduzi-los para o francês. Mas Iris parece mais interessada em conhecer estas pessoas que encontra em seu caminho do que em realmente ensinar-lhes alguma coisa. Elas, por sua vez, mostram-se intrigadas pelos modos misteriosos da estrangeira, mas geralmente entram no seu jogo, por mais que eventualmente experimentem alguma desconfiança. 

É o que acontece, por exemplo, com a mãe do jovem estudante (Ha Seong-guk) que a abriga em seu pequeno apartamento, num arranjo que a velha senhora, que chega de repente para uma visita, reprova - aparentemente por ver nessa presença um relacionamento sexual clandestino que até se insinua, mas não se confirma.

As conversas de Iris com seus alunos, como uma jovem pianista (Cho Yunhee) ou com uma mulher de meia-idade (Lee Hye-yoeng) e seu marido (Kwon Hae-hyo), enveredam por rumos inesperados, em que a francesa procura satisfazer sua curiosidade por seus sentimentos - algo inusitado na cultura oriental - e não esconde sua predileção pelo makgeolli, uma leitosa bebida local. 

Quem é essa mulher, que usa um estranho chapéu e não hesita em tirar as sandálias para mergulhar os pés num fio d’água, permanece um mistério. Ela é um enigma, quem sabe dissimulada, e pode-se até suspeitar que se trate de uma vigarista em fuga de problemas, talvez, em sua terra natal. Ou pode ser apenas uma pessoa solitária, infeliz, que perdeu tudo. Mas essa impressão, como tudo o mais, também não perdura. Como todos os filmes de Sang soo, este é uma série de instantâneos levados pelo vento. De se esperar, talvez, que houvesse um pouquinho mais de humor, ou talvez um humor mais declarado. Evidentemente, aqui isto não acontecerá. Por isso, o encanto permanece um pouco ralo.

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