A lista de objetos que nunca protagonizaram um filme infantil fica menor a cada ano. De brinquedos a carros, tudo se antropomorfiza, ganha ares fofos, voz e sentimentos para estrelar uma animação engraçadinha. O caso mais recente são diversos tênis em Sneaks: De Pisante Novo, de Rob Edwards e Christopher Jenkins.
Não deixa de ser uma inserção na lógica do capital, ao transformar em amiguinhos queridos objetos que, muitas vezes custam uma fortuna, estimulando crianças a criar vínculos afetivos com coisas que devem ser compradas. Aqui, os protagonistas são um par de tênis exclusivos e caríssimos, que o protagonista, Edson, ganha numa rifa.
Edson vive com sua mãe num pequeno apartamento e sonha tornar-se um jogador de basquete de sucesso. Esse par de tênis vem a calhar, pois deverão fazer dele um jogador melhor. Os tênis são os gêmeos Teo e Beca, ele esnobe e não quer ser usado, ficando apenas para exibição na caixa, e ela, empolgada com tudo, quer ajudar Edson.
A dupla, no entanto, é roubada por um sujeito conhecido apenas como O Colecionador, o que anima Teo, pois vê nisso a possibilidade de manter-se intocado e ser apenas admirado. Ainda assim, Beca bola uma fuga, quando estão sendo transportados, mas o plano não sai como previsto e acabam se separando.
Teo sai em busca da irmã nas ruas de Nova York, onde conhece Beto, um tênis com mais conhecimento sobre a vida e a relação com humanos, que o guiará nessa jornada em busca de Beca e sua aceitação enquanto pisante.
O colorido vibrante e boa técnica não compensam a enorme falta de criatividade da trama do filme. As tentativas de trazer à tela uma cultura negra e urbana soam artificiais, sem alcançar o brilho e sagacidade dos filmes do Aranhaverso, que lidam com esses mesmos elementos de uma maneira muito superior.
