18/07/2026
Guerra Drama

Tempo de Guerra

Em Ramadi, em 2006, durante a Guerra do Iraque, um pelotão de soldados norte-americanos ocupa, à noite, a casa onde moram duas famílias, transformando-a num posto avançado para o ataque às milícias jihadistas. À medida que o tempo passa, eles se veem cercados e alvo de tiros e bombardeios, passando a correr um risco crescente.

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Com toda a verossimilhança e urgência de seu apuro técnico em vários aspectos, Tempo de Guerra, de Alex Garland e Ray Mendoza, é um filme que, a esta altura da história do mundo, desperta questionamentos. A primeira pergunta é: por que voltar a este assunto, um episódio da Guerra do Iraque, sob o ponto de vista estritamente de um grupo de soldados norte-americanos, ignorando o lado dos civis iraquianos envolvidos na mesma situação?

Com toda a solidariedade que se possa ter pela aflição destes jovens soldados, cercados numa casa em Ramadi, Iraque, em 2006 - um acontecimento verídico -, um problema, de cara, no filme, é essa falta de contexto. A idéia central é reconstituir os incidentes em seus mínimos detalhes, com o máximo realismo e a máxima intensidade.

Evidentemente, Garland, diretor de Guerra Civil, secundado por Mendoza, seu consultor naquele filme e ex-veterano do Iraque, estão solidamente amparados nas memórias de Mendoza e de seus ex-companheiros de uma unidade SEAL, da Marinha dos EUA, que viveram esses fatos. E a equipe técnica que reuniram, incluindo o desenhista de som Glenn Freemantle, o diretor de fotografia David Thompson e a montadora Fin Oates, faz um serviço evidentemente de primeira, que entrega toda a tensão implacável que o filme atinge em seus 95 minutos.

Não há, a rigor, um protagonismo neste grupo de atores. A intenção é claramente ressaltar a ideia de grupo, de união. O pelotão, à noite, entra furtivamente numa casa de um bairro na cidade de Ramadi, tomando os dois andares residenciais, onde moram duas famílias - civis que são rendidos e instruídos pelos dois tradutores iraquianos (Heider Ali e Nathan Altai) a permanecerem quietos, depois de trancados num aposento. 

Isolados nesta casa, onde planejam constituir um posto avançado para o combate terrestre de núcleos jihadistas que se escondem nas imediações, os soldados experimentam um curto período de impressionante calma - e que é tratada, no filme, como um potencializador da tensão que virá a seguir, como o momento da expectativa antes do turbilhão. 

Nesta parte, pode-se conhecer um pouco os participantes, como o sniper Elliott (Cosmo Jarvis), o capitão Erik (Will Poulter), o operador de rádio Ray (D’Pharaoh Woon-A-Tai), e o tenente MacDonald (Michael Gandolfini). Apresenta-se com um rigor quase documental sua rotina exasperante, que consiste em observar os arredores, de onde se sabe que virá a próxima ameaça. E ela não deixa de acontecer.

O filme comprime em sua tensão os ataques à casa, onde seus inimigos sabem que se escondem os soldados norte-americanos, sua frenética comunicação por rádio com aviões próximos, buscando suporte e socorro, e as aflições desse confinamento em que a morte pode chegar a qualquer momento, por qualquer fresta ou janela. À medida que alguns são atingidos e há feridos, a dinâmica da primeira parte muda completamente. O medo, a dor, o desespero se infiltram, enquanto o comando muda de mãos e as características pessoais de um e de outro pesam para que haja alguma saída para a situação de perigo em que todos se encontram. 

Um avião poderá socorrê-los? Um tanque poderá parar na porta da casa? Todas as alternativas vão sendo cogitadas, enquanto, dentro das quatro paredes, o sofrimento de todos se prolonga. Tempo de Guerra pretende ser, e é, um retrato fiel de um momento de guerra que não busca nenhum heroísmo ou romantização. Pode-se ter homenageado as memórias deste pelotão - cujos membros aparecem em fotos no final ao lado de seus intérpretes - mas nada mais do que isso. O filme não terá a acrescentar nada a clássicos do gênero com muito mais coisas a dizer, como Apocalypse Now, Platoon, Guerra ao Terror e tantos outros preocupados com um alcance maior do próprio conceito e da moral de todas as guerras. 

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