O sexto filme da franquia Karate Kid – fora a série Cobra Kai –, Karate Kid: Lendas nem se esforça muito em tentar dialogar com as novas gerações e conquistar um novo público. Seu alvo, basicamente, são os adultos que eram crianças nos anos de 1980 e 1990 e cresceram vendo os filmes. E, nesse sentido, o longa de Jonathan Entwistle também nem tenta disfarçar essa intenção.
A presença de Ralph Macchio, o karatê kid original, como Daniel LaRusso, e Jackie Chan, como sensei Han, é a tentativa de unir as duas pontas da franquia: a original com a tentativa de reboot de 2010, protagonizada por Jaden Smith, que aqui não dá o ar de sua graça. O novo filme está bastante próximo do primeiro de 1984, com uma história praticamente igual.
Li Fong (Ben Wang), e sua mãe solo (Ming-Na Wen), uma médica, mudam-se de Pequim para Nova York, onde ela consegue um novo trabalho e espera que o filho consiga lidar com o trauma da perda do irmão lutador de caratê, que foi morto numa emboscada por um rival que perdeu a luta. Li estava com ele e na hora não conseguiu fazer nada, por isso se culpa. Os dois eram alunos de Han, mas a mãe proibiu o filho caçula de lutar. Levá-lo para os EUA significa também mantê-lo longe do mestre.
Na nova cidade, Li logo faz amizade com Mia (Sadie Stanley), filha do dono de uma pizzaria, Victor (Joshua Jackson), que era boxeador mas parou quando a menina nasceu. Ele tem uma dívida enorme com um agiota que não é do tipo que se contenta em apenas quebrar uma perna, e quer o pizzaiolo morto. Com a ajuda de Li, ele volta a treinar boxe para participar de uma luta e ganhar dinheiro para pagar sua dívida. Esse é o lado Rocky, Um Lutador do filme.
Mia, por sua vez, também tem seus problemas do passado. Ela foi namorada de Connor (Aramis Knight), um lutador de caratê violento que faz parte da gangue do agiota. Quando o conhece, Li fica sabendo de um campeonato radical de caratê na cidade, o mais violento e perigoso, conhecido como 5 Bairros. Depois de levar uma surra de Connor, o garoto resolve que também deverá competir nessa luta. E, do nada, chega num voo direto de Pequim para Nova York, novamente, o Sr. Han.
O roteiro de Rob Lieber é extremamente respeitoso com o primeiro filme, a ponto de ser totalmente previsível. Numa trama quase idêntica que honra o lendário Sr. Miyagi (Pat Morita) e com a presença de Daniel, que até hoje mantém um templo em homenagem ao antigo mestre na Califórnia.
O elenco é bastante carismático, mas empaca na péssima direção de Jonathan Entwistle, estreante em longas, tendo apenas séries e curtas no currículo. As cenas de luta são mal filmadas, os movimentos e golpes dos esportes do filme (caratê, kung fu e boxe) não são mostrados direito e a montagem picota as cenas de luta, impedindo uma visão do todo das disputas. Já as cenas dramáticas em nada acrescentam a trama, pois são rasas e tolas, tornando o filme tão dispensável quanto esquecível.
