03/06/2026
Drama

Adeus, Garoto

Morador do precário Rione Traiano, em Nápoles, o jovem Attilio é pressionado por um agiota a resgatar uma dívida de seu pai, Luciano, que é viciado em drogas e acaba de sair da prisão. O rapaz vai trabalhar como protetor de uma jovem prostituta, Anastasia. E se apaixona por ela. Nos cinemas.

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Sangue novo no cinema italiano, o estreante em longas Edgardo Pistone segue as pegadas de Pier Paolo Pasolini e também de Matteo Garrone ao compor um retrato em preto e branco do Rione Traiano, onde ele nasceu e cresceu, em Nápoles, através da trajetória acidentada do jovem Attilio (Marco Adamo). 

É uma jornada de amadurecimento arrancada a fórceps a que se apresenta na vida deste rapaz de 19 anos, filho da classe trabalhadora e que tem um pai, Luciano (Luciano Pistone), viciado em drogas. Ele acaba de sair da prisão e com uma imensa dívida, avidamente cobrada por Vittorio (Pasquale Esposito), o agiota local. Uma dívida que não tarda a ser cobrada também do rapaz, estendendo uma situação de opressão latente, medieval, que aprisiona os habitantes desse lugar no mesmo círculo de pobreza. 

A fotografia em preto e branco, assinada por Rosario Cammarota, retrata com precisão essa espécie de limbo existencial onde Attilio se debate, com as raras alegrias da convivência com os amigos - com quem compartilha dias de natação na praia, jogos de bilhar e eventuais pequenos furtos.

Num cenário de escassas perspectivas de sobrevivência, Attilio acaba procurando trabalho junto a Martinelli (Salvatore Pelliccia), o receptador dos objetos roubados pelos garotos. O que Attilio tem em mente é conseguir dinheiro para resgatar a dívida do pai. Então, recebe de Martinelli a função de proteger uma jovem prostituta da Europa do Leste, Anastasia (Anastasiia Kaletchuk). 

Não poderia haver cenário mais desolado para estas vidas do que o descampado onde, parados num carro, Attilio e Anastasia esperam os escassos clientes. É claramente uma situação no limite, num extremo em que não há espaço para a dignidade, nem mesmo para os sonhos. Mas é justamente aí que nasce a paixão de Attilio pela moça.

Há visivelmente um descompasso nessa relação, que não se trata de um amor romântico - é quase uma bóia de salvação para dois seres sem lugar no mundo. Mesmo assim, há espaço para alguma beleza num cotidiano impiedoso para alguém, como Attilio, dispondo-se a salvar as pessoas que ama. 

Uma qualidade na direção de Pistone é a sutileza nas emoções. Ele mantém o tom contido sem deixar de abrir espaço à expressão de todo o drama destes personagens. Esta honestidade é provavelmente a maior força do filme, que venceu o prêmio de Melhor Primeira Obra no Festival de Cinema de Roma 2024.

 

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