Traumas são um tema caro ao cinema – especialmente para filmes sobre superação. Mas o terror tem se apropriado desse assunto de maneira, às vezes, bastante profícua. Esse, no entanto, não é o caso de A Mulher no Jardim, do espanhol Jaume Collet-Serra, diretor de aluguel cuja obra vai para o lado que a tendência do momento mandar.
Ramona (a ótima Danielle Deadwyler) perdeu o marido há pouco tempo num acidente de carro do qual ainda não se recuperou emocional e fisicamente, andando de muletas por causa de sua perna quebrada. Os filhos, o adolescente Tay (Peyton Jackson) e a pequena Annie (Estella Kahihi), também sofrem com a perda do pai, mas não estão tão destruídos mentalmente quanto a mãe, que enfrenta uma depressão profunda.
Não demora muito e no quintal da fazenda onde vivem aparece a tal mulher do título do filme. Uma figura imponente, toda de preto, coberta por um véu da mesma cor, sentada impassível numa cadeira. Romana vai até lá falar com ela (interpretada pela dançarina e atriz Okwui Okpokwasili), e o mistério só aumenta. Essa mulher sabe tudo sobre Ramona, inclusive detalhes do acidente que seus próprios filhos desconhecem.
Quem é essa mulher pouco importa, mas o que ela representa fica bem claro e bem rapidamente, o que tira qualquer apelo ao filme. Pouco interessa como a derrotar, porque derrotá-la já não é importante. A Mulher do Jardim se resolve muito rapidamente, e depois não sabe o que fazer até atingir a marca de 90 minutos – o que nem consegue, contentando-se com 87, contando os créditos.
Collet-Serra nunca foi de imprimir personalidade a seus filmes, e não teria como isso acontecer nesse amontado de clichês que nunca conseguem ir além do óbvio. Temas como raça e gênero poderiam trazer nuances – afinal é uma família de pessoas negras, liderada por uma mulher – mas elas jamais são exploradas. O que sobra é um terror sobrenatural sem graça e esquecível.
