Do alto de seus quase 70 anos e com o charme intacto, Chow Yun-Fat é sempre uma presença bem-vinda na tela do cinema. Por isso é uma pena vê-lo num filme tão mal resolvido como esse Detetive Chinatown: O Mistério 1900, quarto filme na franquia, de enorme sucesso na China, que começou em 2015, além de contar também com uma websérie.
O novo longa volta ao passado para contar as origens da dupla de detetives Qin Fu (Haoran Liu), uma espécie de Sherlock Holmes chinês, e Gui (Baoquiang Wang), o seu Watson, também conhecido como Ghost. A história, que se passa em São Francisco, começa quando o filho de um líder Tong (uma comunidade chinesa local), Bai Xuanling (Chow), é acusado de matar a filha de um congressista local, interpretado por John Cusack. Na mesma noite, o pai de Gui, um ancião nativo, foi morto.
A questão central é a sinofobia nos EUA da virada do século XIX para o XX, uma questão que, claramente, ressoa no presente, e os diretores Chen Sicheng (que também assina o roteiro) e Dai Mo farão questão de deixar o racismo bem explícito – especialmente por não haver um personagem caucasiano que não seja explicita e excessivamente racista.
O mais curioso é que, para criticar o racismo, o filme se vale exatamente de estratagemas racistas ao maquiar um ator chinês para interpretar um personagem nativo estadunidense, que é um chinês cuja família morreu e foi adotado por nativos – uma espécie de O Último dos Moicano chinês. Então por que fazer brown face? Ele e os demais personagens nativos são extremamente estereotipados. Em pleno 2025 isso nem é admissível.
Fora todos esses problemas, o filme é todo banhado num filtro dourado, resultando numa imagem bastante estranha, assim como a trilha sonora onipresente que acentua o tom cômico deslocado que força no pastelão, embora queira trazer outros pontos mais sérios. Os diretores nunca encontram um meio-termo, e o resultado é todo desgovernado.
