03/07/2026
Comédia Romance

Teleférico do Amor

Num pequeno vilarejo na Geórgia, um teleférico é o principal meio de transporte. As duas jovens que conduzem os dois únicos bondes se encontram uma vez em toda a trajetória. Desses rápidos encontros, nasce um sentimento recíproco. No Belas Artes à la Carte.

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Em Teleférico do Amor, o cineasta alemão Veit Helmer vale-se de estratagemas bem parecidos com aqueles que usou em seu filme mais conhecido, De quem é o sutiã?, de 2018, ou seja, cenários no leste europeu, tons pastel, ausência de diálogos e um toque de absurdo. Aqui, no entanto, tudo se esgota muito rápido, e resulta num filme fofo, mas que aparenta mais longo do que seus parcos 82 minutos. 

Num pequeno vilarejo no oeste da Geórgia, o principal meio de transporte é um teleférico, que liga a parte de cima com a de baixo. Há apenas duas cabines que sobem e descem o tempo todo, e, ao longo da trajetória, sem encontram em um rápido momento. O filme começa com uma delas ocupada por um caixão sendo transportado em uma delas, e já estabelecendo o clima do filme escrito pelo diretor. 

Mais do que uma narrativa coesa, a estrutura é composta de vinhetas que contam a história das duas jovens condutoras das cabines: Iva (Mathilde Irrmann) e Nina (Nini Soselia), que se conhecem apenas dos encontros furtivos durante o trajeto. Disso nasce uma amizade improvável, que logo se transforma num flerte ainda mais improvável. 

O tom adotado por Helmer está longe do realismo, é algo de uma magia delicada como um algodão doce de onde as cores do filme parecem ter saído. Não há muito espaço para outros personagens senão as duas jovens. Os demais são versões caricatas de seres humanos, como o chefe delas (Zuka Papuashvili), ou a variedade de passageiros e passageiras do teleférico. 

Helmer é bem intencionado em sua obra, mas também é vítima da forma e fórmula que ele mesmo criou. Encapsular um outro mundo num filme se tornou sua especialidade, e ele já mostrou que sabe fazer isso. Dessa forma, Teleférico do amor parece apenas repetir sua zona de conforto. 

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