04/06/2026
Ação

Missão: Impossível – O Acerto Final

Retomando a história do filme anterior, Ethan Hunt e sua equipe tentam parar um milionário que quer dominar o mundo, comandando uma inteligência artificial conhecida como A Entidade. Enquanto isso, essa mesma IA desenvolveu vontade própria. Na Apple TV, Amazon Prime, Claro TV+ e Paramount+.

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Já é de praxe: todo Missão Impossível, traz uma versão diferente do famoso tema musical criado pelo argentino-americano Lalo Schifrin. Uma das melhores é a do sétimo longa, de 2022, Acerto de Contas – Parte Um, que contou com o grupo suíço de tambores Top Secret Drum Corps. Corta para Missão Impossível - O Acerto Final, novo e supostamente último, segmento da série. Quando, depois de alguns minutos, entra o tema a frustração começa: é a versão mais genérica e sem graça de toda a franquia, e um aviso de que o que está por vir segue a mesma toada. 

Novamente dirigido por Christopher McQuarrie, esse é, claramente, um projeto para o ego cientológico de Tom Cruise que, como o agente Ethan Hunt, ouve algumas vezes, de vários personagens, como ele foi importante para salvar o mundo, e todos devem a vida a ele. Outra personagem vai ainda mais longe: ele é a pessoa perfeita para ser o governante mundial, uma espécie de rei soberano para governar a Terra graças à sua benevolência. E isso é dito de forma séria. 

Aquilo que mais interessa no filme, as estripulias de Hunt/Cruise, não são lá muito originais, e parecem mais uma reciclagem de tudo o que se viu na série até então. O longa, aliás, já começa com uma montagem mostrando momentos famosos da franquia, com destaque para a famosa cena do primeiro, de 1996, dirigido por Brian De Palma, quando o protagonista fica suspenso por um fio na sala de segurança máxima onde há um computador. 

Custa um pouco à narrativa para engrenar e retomar as pontas do longa anterior, que envolve uma super-inteligência artificial chamada Entidade, que criou vida própria e está prestes a dominar o mundo, controlando as ogivas nucleares das superpotências. Aparentemente, para o filme, no entanto, só interessam as ações da presidenta estadunidense, Erika Sloane (Angela Bassett), acompanhada de um grupo de assessores e assessoras que, novamente, servem de pretexto para um discurso de patriotismo questionável neste momento da história do mundo.

Hunt conta com sua equipe: Grace (Hayley Atwell), Benji (Simon Pegg), Paris (Pom Klementieff), Degas (Greg Tarzan Davis) e Luther (Ving Rhames), que tentam parar o milionário maluco, Gabriel (Esai Morales), que quer dominar o mundo controlando a Entidade. Muito falatório e pouca ação marcam a primeira metade do longa, que nunca abre mão do excesso de explicações que servem, acima de tudo, para idolatrar Hunt e os EUA. Um novo velho personagem entra em cena: o analista da CIA William Donloe (Rolf Saxon), aquele que lá no primeiro filme criou o computador supostamente inviolável que o protagonista violou na cena em que fica suspenso. 

A ambição aqui é grande – são quase 3h, e, claramente, Cruise e McQuarrie queriam fazer o maior filme da franquia, não apenas pela duração. A cobiça, no entanto, não encontra muito respaldo formal. Parece mesmo um filme de despedida, e nem é por (supostamente) ser o último da série. Todos os envolvidos parecem um tanto entediados, fazendo o básico do básico de seus personagens no piloto automático, resultando num filme muito abaixo do anterior, por exemplo, que era cheio de energia e vivacidade. É um último suspiro melancólico e decepcionante para uma franquia sempre marcada por muito fôlego. 

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