Após um pequeno prólogo, Prédio Vazio, longa escrito e dirigido por Rodrigo Aragão, parece um daqueles suspenses que pretende um aspecto de drama social. Vemos a orla da praia de Guarapari, no Espírito Santo e, em meio a tantos arranha-céus modernosos, está um velho prédio que parece abandonado, mas ainda há pessoas morando nele. São os últimos dias do carnaval, a praia está cheia de turistas, e alguns alugaram apartamentos ali.
Entre esses turistas está Marina (Rejane Arruda), fantasiada num vestido dos anos 1920, alcoolizada, que tenta entrar no prédio velho, onde está hospedada com o namorado. Tudo ali já grita terror, do hall mal iluminado ao elevador vermelho que para a todo momento e cuja luz acende e apaga. Quem abre a porta é uma outra mulher, Dora (Gilda Nomacce), a suposta zeladora local.
Marina tem uma filha, Luna (Lorena Corrêa), jovem atormentada por sonhos que acredita terem sido premonitórios com mãe. Enquanto elas conversam por telefone, uma idosa se joga da sacada do prédio velho, deixando Marina em estado de choque. E a garota, seguida pelo namorado (Caio Richards), vai para Guarapari.
Aragão, que também assina os efeitos especiais do filme, é conhecido pelo seu cinema de terror (Mangue Negro), e faz aqui um longa que dialoga com Marco Dutra e Juliana Rojas – a presença de Nomacce, atriz presente em vários filmes deles, é uma evidência já, mas a questão mesmo está na forma.
A maternidade, tema recorrente no gênero, serve como desculpa para tudo – especialmente o sacrifício. Os conflitos morais são colocados à prova na medida em que Marina e Luna precisam proteger uma à outra. Os poucos personagens masculinos são rápida e facilmente descartados, uma vez que aqui se trata de um universo feminino marcado por visões um tanto distintas sobre ser mãe.
Prédio Vazio é um filme que vai aos trancos jogando elementos horroríficos quase a esmo, para chegar a uma explicação óbvia e desnecessária no final. Ao menos, Aragão não se furta do sangue e da violência quase estilizada. Tudo o que é construído até então se torna banal diante de uma explicação superficial. As personagens são mais tipos humanos do que pessoas, sem densidade. Sua função é mesmo jorrar sangue, e isso, o filme faz com gosto – e é sua maior qualidade.
