18/07/2026
Terror Suspense

Extermínio: A Evolução

Vivendo com os pais numa aldeia isolada na Escócia, o jovem adolescente Spike nunca conheceu o mundo sem o vírus que zumbifica as pessoas. Sua saída de seu vilarejo lhe apresentará novos perigos, mas também outras possibilidades, como tentar ajuda para sua mãe, misteriosamente doente.

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A frase latina Memento Mori, lembre-se da morte, é repetida algumas vezes em Extermínio: A Evolução, o que é algo meio irônico haja vista que a maioria das, bem, pessoas em cena são zumbis presos numa espécie de limbo entre a vida e a morte, prontos para atacar ou levar uma flechada – de preferência na cabeça. 

O retorno de Danny Boyle ao universo de Extermínio, terceiro longa da franquia, lançado quase 20 anos depois do segundo, de 2007, oferece a mesma marca caótica de seu cinema, que se tornou um pastiche de si mesmo. Mas a boa notícia é que aqui isso funciona, ao menos, em boa parte do tempo.

Com roteiro novamente assinado por Alex Garland, o filme começa com um pequeno prólogo, que será compreendido apenas bem mais tarde. E é bom avisar logo de cara, embora tenha uma espécie de final, que boa parte da trama não tem uma conclusão - esse é o primeiro de uma trilogia que deverá ser concluída, com um filme por ano, em 2027. O segundo longa será dirigido por Nia DaCosta.

Basicamente ignorando os eventos do segundo filme (dirigido pelo espanhol Juan Carlos Fresnadillo), este toma o primeiro como referência, no qual um vírus misterioso atingiu a Inglaterra, transformando pessoas em zumbis ao tomar contato com o sangue de infectados. Os esforços do restante da Europa voltam-se para impedir que o vírus chegue ao continente. Um grupo de sobreviventes vaga, inicialmente, por uma Londres dizimada, e depois pelo interior do país, em busca de refúgio ou alguém que venha pelos ares para tirá-los dali.

Extermínio: A Evolução passa-se 28 anos depois do original, com gerações de pessoas que nunca conheceram um mundo livre da praga. A grande ilha da Inglaterra está tomada pelo vírus e por zumbis, mas na Escócia há uma pequena fortaleza onde as pessoas não foram infectadas e levam uma vida mais ou menos normal, com escola e trabalhos, embora tudo seja racionalizado. Uma combinação de aldeia medieval com retiro hippie, há todo um ritual de levar os meninos para a ilha inglesa quando chegam a certa idade para aprender a caçar zumbis.

Jamie (Aaron Taylor-Johnson) mora com seu filho pequeno, Spike (o excelente Alfie Williams), e sua mulher adoentada, Isla (Jodie Comer, também excelente), que não sai da cama – embora ela não esteja contaminada com o vírus da raiva, sua doença inexplicável é outra coisa. Quando ele leva o menino para sua primeira caçada de zumbis, uma série de coisas acontecem, mas o que importa é que o menino descobre existir um médico – uma categoria considerada extinta – que vive solitário, fazendo uma inexplicável fogueira de horrores todo o tempo. O pequeno Spike vê nisso a oportunidade de salvar sua mãe e, escondido de todos, foge com ela em busca do Dr. Kelson (Ralph Fiennes).

O filme se toma claramente esse momento de O Coração das Trevas, clássico da literatura inglesa de Joseph Conrad, que serviu de inspiração para Apocalypse Now – tanto que, ao encontrar o Dr. Kelson, sua figura careca e coberta de iodo lembra muito Marlon Brando no filme de Coppola. Se narrativamente é quase uma jornada do herói, formalmente Boyle e Garland descem ao fundo de um inferno de zumbis para dar, bem, vida ao filme. 

Há momentos que parecem saídos direto de um folk horror, e o terrífico é muito mais presente do que no segundo filme, que se tornou basicamente, um longa de ação. Ao voltar-se ao original, o diretor e o roteirista buscam aprofundar-se numa mitologia religiosa – conforme fica bem claro no final – da segunda vinda de um salvador. Pequenas pistas estão aqui e ali ao longo do filme, mas passam quase batidas. 

Filmado com iPhone 15 Pro Max, o filme tem uma imagem chapada, e muitas vezes com cores estouradas, mas também outras de profundas nuances visuais. Talvez seja na montagem que Boyle seja mais Boyle, com trucagens e pirotecnias que podiam soar descoladas no começo dos anos 2000, mas agora são um tanto cringe. Mas é inegável que existe uma força aqui, como no momento em que se ouve o poema Boots, de Rudyard Kipling, declamado por Taylor Holmes, numa famosa gravação de 1915. É um texto de enorme sonoridade, imitando botas marchando. É um momento em que o filme claramente resgata a ideia de uma guerra contra os zumbis. O que é difícil de determinar, no entanto, quem efetivamente são os zumbis atualmente. 

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